sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

ÚLTIMA MARIRANEIRA PERTENCENTE A O CONJUNTO DE ARVORES DO ANTIGO PLANO DE ARBORIZAÇÃO DA RUA RUI BARBOSA, FOI DERRUBADA!

Momento do desgalhamento e derrubada da Mariraneira pelo corpo de bombeiros de Itacoatiara - foto: Frank Chaves 20/12/2012


Ontem pela manhã, a última árvore de marirana foi derrubada. Fazia parte de um dos antigos planos de arborização de arvores nativas da Velha Serpa. Na década de 20 do século passado, foram plantadas várias mangueiras no centro da cidade, restando só uma, em frente ao Hotel Rio Amazonas, na Orla da cidade. O ex-prefeito Isaac Peres, trouxe neste mesmo período os famosos oitizeiros, fez o plantio das primeiras mudas da espécie no primeiro calçadão público da cidade, hoje denominado túnel verde da Avenida Parque, que foi estendido por alguns prefeitos, que também tinham consciência ambiental e urbanística. Em contra ponto, o processo de degradação está ocorrendo com as mariraneiras existentes na Rui Barbosa. Com idade aproximada de 80 anos, essas árvores foram plantadas em fila, no trecho compreendido entre a rua Benjamim Constante e a rua N. Sra. do Rosário. Faziam um excelente sombreamento, na época da produção de frutos, amarelava o chão com uma grande porção de deliciosas mariranas. A criançada ia para lá para juntar os frutos, até mesmo eu ainda juntei alguns quando menino. 
A mariraneira tem várias utilidades, pode ser usada na construção de móveis, atinge até 25 mts de altura, seu fruto é comestível, seu forte aroma pode ser utilizado na produção de perfume e tem propriedades medicinais, além de proporcionar uma imensa copa ofertando um belíssimo sombreamento. O povo do Amazonas e do Pará de um modo geral, gosta de consumi-la ao natural ou com farinha de mandioca, por apresentar aroma e sabor peculiares. Em Itacoatiara a época de produção de frutos varia de dezembro a maio.

Falei com uma pessoa da família fronteiriça a árvore sacrificada, e me foi informado que estavam derrubando, pelo fato do tronco da árvore está, segundo eles totalmente oco e apodrecido, mas que a família tomou o cuidade e teria algumas mudas da arvore em e seu quintal, para preservar a espécie. Por se tratar de um fruto nativo e praticamente em extinção, é importante a manutenção de suas mudas, para não perdermos a mariraneira do cenário itacoatiarense. Havia também uma penúltima árvore existente no quarteirão que faz fundos para a escola Jamel Amed, que infelizmente também foi derrubada, talvez pelo mesmo motivo, até ontem só restava esse ultimo exemplar, que funcionava até mesmo, como um ponto de referência da casa da família Solon, que alias, perdeu seu ponto de referência e sua condição de guardiã do ultimo exemplar das históricas mariraneiras que se destacavam no cenário urbano de nossa cidade.


Houve uma força tarefa para a execução deste triste feito. Foi deslocado o corpo de bombeiros, a Amazonas Energia e a empresa de telefonia, para dar segurança ao sistema elétrico e de comunicação, assim como, para dar segurança as residências próximas, ao sacrifício dessa saudosa senhora, de aproximadamente 25 metros de altura. Companheira de mais 80 anos dos moradores da rua Rui Barbosa. Para tanto, foi fechada parte da rua, a operação atraiu populares que foram assistir a ação com notável tristeza em seus semblantes.
 
É importante considerar, que ainda existia um pé antigo de marirana nos fundos do terreno da APAE no bairro da Colônia, proveniente da plantação de Dona Liúca, cujo terreno, preserva algumas mangueiras e outras fruteiras da região. Talvez pelo tamanho da arvore, ninguém queira mais plantar em seus quintais. Mas seria interessante quem ainda dispõe de área e sítios, conseguir algumas mudas para não perdermos a espécie.

Todavia, é triste observar que cada vez mais, a camada verde existente na zona urbana de nossa cidade, está  sendo extirpada do nosso meio ambiente. Isso faz com que o clima de nossa cidade fique cada vez mais desconfortável. A final o hino de Itacoatiara, vaticina que nossa cidade esta “vestida bem de verde como a esperança”. Mas se deixarmos de plantar novas arvores, a medida que a expansão urbana de nossa cidade avança. Vamos ter que em futuro bem próximo mudar, inclusive a letra do nosso hino, ocasionado pela notória ausência de verde que a cada dia toma conta de nossa cidade, acabando com aquele ar-puro e sombreado de nossa cidade, dando lugar aquela sensação térmica desconfortável que a cada dia invade a nossa realidade climática, somos com isso vitimas desse calor insuportável que a cada ano toma conta de nossa cidade, a medida em que a camada verde se distância do nosso habitat.

Vale ressaltar, que hoje de manhã ao término deste artigo, recebi a visita do meu amigo Eduardo Palmeira, fiel colunista do Candirú, que me procurou para relatar da derrubada da árvore, e que também estava levantando dados sobre a mariraneira, no momento portava dois frutos, ainda verdes que retirou do lugar da derrubada e me presenteou. Ele que é um dos nossos mais notáveis preservacionistas, tanto do nosso verde, quanto da nossa memória, por isso merece o nosso aplauso, agora gostaria de dizer o mesmo dos nossos órgãos públicos ambientais, que pouco fizeram para preservar e recompor a camada arbórea de nossa cidade, para que nossa Itacoatiara continue sendo sempre, “vestida bem de verde como a esperança”.
UMARI - MARITUBA - BLOCO MELADO ENTRA
Características científicas: 

[Bot.]- Umari ou marirana, é o nome popular de uma árvore da família das Fabáceas (ex-Leguminosas), sub-família das Papiloniáceas. Ocorre em áreas de caatinga e produz amêndoas comestíveis. O nome científico da umari é uma sinonímia, podendo ser:  Andira spinulosa - Poraqueiba sericea Tul. - (Família Icacinaceae) - Geoffroea Striata - Geoffroea Superba - Geoffroea Spinosa.
 
AMAZÔNIA DEVASTADA
Letra e música de Rui de Carvalho

A Amazônia, nossa parte brasileira
E a sul-americana, são dotadas de riquezas
São ameaças da cobiça estrangeira
Que de forma sorrateira tentam a nós, dissimular

A fauna e a flora são riquezas exuberantes
Que em nome da ciência, querem comercializar
E quanto mais avança a tecnologia
Poucas são as etnias, vão se beneficiar

O solo é frágil, floresta luxuriante
Derrubadas alarmantes, queimadas poluem o ar
Desce nos rios arvoredos seculares
De destinações vulgares, o rico vai ostentar

São naturais, são recursos vegetais
São recursos minerais, a terra quer respirar.
Nossas nascentes de águas claras, brancas e escuras
Sofrem com a negligência, do ser humano vulgar

Serpenteados como o belo Juruá,
Os rios da Amazônia interagem com o mar
Mineração, muita contaminação
E o caboclo ribeirinho já não tem como pescar

Os nossos índios, de cultura milenar
São expulsos, dizimados em nome do bem-estar
Que os Xamatás, invoque seus ancestrais
Que ninguém agüenta mais, o planeta vai rachar

São derrubadas de florestas primitivas
Quem viver verá, que o diga, num deserto transformar
Tal Mata Atlântica, como canta o Jatobá
Essa maldita matança, não pode continuar.

Aquariquara, Arapari, Saboarana
Marupá, Macacauba, Acapu e Ucuuba
Tem Babaçu, Tucumã e Urucuri
Marirana, Umari, Babaçu e Buriti
Camaleão, Peixe-Boi e Capivara
Queixada, Ariranha, Jibóia e Arará-Azul
Rios Javarí, Jutai, Inhamundá
Tem Tefé, Puruz, Madeira, Solimões e Juruá
Piramutaba, Aracu, Aruanã
Matrinxã, Pirapitinga, Pacamum, Curimatã
Tem Paranás, Igapós, igarapés
Ouro-Negro, Diamantes
Tambaquis, Tucunarés 




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