Hoje, 9 de julho, São Paulo celebra uma das datas mais simbólicas de sua história: a Revolução Constitucionalista de 1932. Mais do que um conflito militar, o movimento representou a defesa de um princípio que permanece essencial em qualquer democracia: nenhum governante deve exercer poder sem limites impostos por uma Constituição.
Após a Revolução de 1930, o Brasil passou a ser governado por um governo provisório, sem uma Constituição em vigor e sem a convocação de uma Assembleia Constituinte. Foi nesse contexto que milhares de paulistas se mobilizaram para exigir a restauração da ordem constitucional e a criação de instituições capazes de limitar o poder do Estado.
Embora tenha ficado conhecida como uma revolta paulista, a principal reivindicação do movimento ia além de interesses regionais. O objetivo era defender uma nova Constituição, fortalecer instituições estáveis e assegurar que o exercício do poder estivesse submetido a regras claras, e não apenas à vontade dos governantes.
Do ponto de vista militar, a Revolução Constitucionalista foi derrotada após cerca de três meses de combates. Politicamente, porém, sua pressão produziu resultados importantes. Em 1933, foram realizadas eleições para a Assembleia Constituinte e, no ano seguinte, o Brasil promulgou uma nova Constituição.
Por isso, o legado de 9 de julho continua atual. A liberdade não depende apenas da escolha periódica dos governantes, mas também da existência de instituições fortes, capazes de limitar o poder, garantir segurança jurídica e proteger os cidadãos contra arbitrariedades. Afinal, governos passam, mas instituições permanecem.
Mais de nove décadas depois, a Revolução Constitucionalista segue lembrando que defender a Constituição é, acima de tudo, defender a liberdade.
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A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um dos principais conflitos armados da história do Brasil, ocorrido no estado de São Paulo entre julho e outubro de 1932.
Porque estourou esta revolução?
Dois anos antes, em 1930, Getúlio Vargas assumiu o poder após uma revolução. O problema é que ele começou a governar de forma ditatorial. Ele assumiu o poder depondo o presidente Washington Luís que era paulista e impedindo a posse de Júlio Prestes. Getúlio governava por decretos, anulou a Constituição de 1891 e dissolveu o Congresso Nacional. Ele passou a nomear "interventores" governadores indicados por ele, para os estados. Em São Paulo, a nomeação de um interventor de fora e militar gerou profunda revolta na elite e na população paulista, que exigiam um governador do Estado de São Paulo.
O estopim da manifestação foi dia 23 de maio de 1932, durante um protesto no centro de São Paulo, quando quatro estudantes foram mortos por forças pró-governo: Martins, Miragaia, Draúsio e Camargo, quais as iniciais dos nomes formaram o MMDC. MMDC foi uma organização secreta que passou a conspirar e mobilizar a população para a guerra.
E dia 9 de julho de 1932 os paulista pegaram as armas para derrubar Getúlio Vargas. São Paulo achava que outros estados grandes, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, entrariam na briga junto com eles. Mas, na hora do "vamos ver", esses estados recuaram e apoiaram Vargas. São Paulo teve que lutar praticamente sozinho contra o exército do resto do Brasil inteiro. Depois de quase três meses de combates intensos, São Paulo ficou sem recursos, cercado militarmente e acabou se rendendo em outubro de 1932.
Quem ganhou? - Militarmente: Getúlio Vargas venceu.
Mas Politicamente, São Paulo conseguiu o que queria.
Para acalmar os ânimos e evitar novas revoltas, Vargas cedeu às pressões: convocou eleições e, em 1934, o Brasil ganhou uma nova Constituição. Além disso, ele nomeou um governador paulista e civil para o estado.
fontes: Instituto Millenium
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