quarta-feira, 11 de junho de 2014

Miracangüera / O Povo Perdido da Amazônia






Embora seja desconhecida pelos próprios brasileiros, Miracangüera provoca polêmica no mundo inteiro. A cerâmica encontrada na região mostra que uma cultura desconhecida habitou a Amazônia.



Urnas Fase GuaritaUma grande necrópole indígena contendo grande quantidade de peças de cerâmica com incrível perfeição foi descoberta casualmente pelo explorador João Barbosa Rodrigues, um dos pesquisadores mais completos já vistos no Brasil. Percorreu por vários anos o gigantesco sistema fluvial do Amazonas, mapeando para o então governo imperial muitas regiões desconhecidas na época. Barbosa
Rodrigues batizou o sítio recém-achado de Miracangüera.

Quando descobriu o local, Barbosa Rodrigues ficou fascinado por uma vasilha de cerâmica muito curiosa vista nas mãos de um viajante, justamente o primeiro sinal de que estava por encontrar um sítio arqueológico desconhecido até então e com uma cultura completamente diferente de qualquer outra. Mesmo estando a mais de 300 quilometros do local, decidiu que valeria a pena pesquisar a região apontada pelo viajante.

MiracangüeraQuando finalmente chegou ao local apontado, perto de onde hoje está a cidade de Itacoatiara, Barbosa Rodrigues localizou o único caboclo que sabia onde achar aquele artesanato raro. Depois de muita insistência e de ganhar algum dinheiro, o caboclo mostrou ao cientista o local exato onde havia grande quantidade daquela cerâmica tão rara. Cacos de louça eram vistos aos milhares, com riqueza de formas nunca vista em qualquer outro sítio arqueológico brasileiro.
Pesquisas exaustivas mostraram que a maioria das peças de cerâmica tinha finalidade ritual, havendo vasos para a queima de incenso e cinzas de mortos. Pratos e tigelas cobertos por uma camada fina de barro branco também foram achados. Algumas das cerâmicas representavam animais noturnos, como corujas e morcegos. Barbosa constatou que havia sempre uma figura humana nas vasilhas mortuárias. Havia ainda vasos "masculinos" e "femininos", imitando pênis e vulvas.

Barbosa Rodrigues notou que o sítio arqueológico era voltado para a direção do nascer do Sol (Leste). Ele encontrou muita dificuldade para identificar a tribo responsável por aquelas obras de arte, já que as tribos da região não possuíam cerâmicas tão evoluídas quanto aquelas. Barbosa só revelou a existência do local em 1887, possivelmente para mantê-lo em segredo até que tivesse condições de voltar com uma expedição melhor equipada, o que nunca conseguiu. A repercussão da descoberta não foi a esperada pelo famoso explorador.

Em 1900 uma parte das peças recolhidas por Barbosa em Miracangüera foi enviada para os Estados Unidos. O governo brasileiro da época não se interessou em tê-las de volta. Participantes de um congresso de Arqueologia que ocorreu no Rio de Janeiro em 1978 denunciaram a apropriação indébita dos americanos, mas o Itamaraty nada fez até hoje.

João Barbosa Rodrigues faleceu em 1909. Em 1925, o famoso antropólogo Kurt Nimuendaju tentou encontrar Miracangüera, mas a ilha já tinha desaparecido nas águas do rio Amazonas. Arqueólogos americanos também vasculharam áreas arqueológicas da Amazônia, inclusive no Equador, Peru e Guiana Francesa, no final dos anos 40. Como não conseguiram achar Miracangüera, "decidiram" que a descoberta do brasileiro tinha sido "apenas de um sítio da chamada ‘Tradição Policrona’ ou seja, uma sub-tradição de agricultores andinos".

Porém, nos anos 60, um outro americano lançou nova interpretação para aquela cultura, concluindo que o grupo indígena de Miracangüera não era originário da região, como já dizia Barbosa Rodrigues. Trata-se de um mistério relativo a uma civilização perdida que talvez não seja solucionado nas próximas décadas.
Em pleno século 21, a cultura mirancangüera continua oficialmente "inexistente" para as autoridades culturais do Brasil e do mundo.


Na margem esquerda do Rio Amazonas, entre Manaus e Itacoatiara, foram encontrados vestígios de inúmeros sítios indígenas pré-históricos. O que muitos de nós não sabemos é que ainda existem regiões ocultas situadas no interior da Amazônia e um povo, também desconhecido, que teria vivido por aquelas paragens e ainda hoje não foram totalmente desbravadas. É assim que nós da SAE começamos a falar sobre os Miracanguera…
Em 1870, numa de suas andanças pelo interior da Amazônia, o explorador, João Barbosa Rodrigues descobriu uma grande necrópole indígena contendo uma vasta gama de peças em cerâmica de incrível perfeição, que teria sido construída por uma civilização até então desconhecida em nosso país. Utilizando a fonética usual dos índios da região, ele denominou o sitio de Miracanguera. A atenção do pesquisador foi atraída primeiramente por uma curiosa vasilha de cerâmica, propriedade de um viajante. Este informante citou tê-la adquirido de um mestiço, residente na Vila do Serpa (atual Itacoatiara), que dispunha de diversas peças, as quais teria recolhido na  Várzea de Matari, situada a poucos quilômetros da vila. Barbosa Rodrigues suspeitou que poderia se tratar de um sítio  arqueológico de uma cultura totalmente diferente das já identificadas na Amazônia.

Em seu interior as vasilhas continham ossos calcinados, demonstrando que a maioria dos casos os mortos tinham sido incinerados. De fato, a grande maioria dos despojos dos miracangueras era composta de cinzas. Além das vasilhas mortuárias, o pesquisador encontrou diversas tigelas e pratos utilitários, todos de formas elegantes e cobertos por uma fina camada de barro branco, que os arqueólogos denominam “engobe”, tão perfeito que dava ao conjunto a aparência de porcelana. Uma parte das vasilhas apresentava curiosas decorações e pinturas em preto e vermelho. Outro detalhe que surpreendeu o pesquisador foi a variedade de formas existentes nos sítios onde escavou, destacando certas vasilhas em formas de taças de pés altos, que lembram congêneres da Grécia Clássica.

Havia peças mais elaboradas, certamente para pessoas de posição elevada dentro do grupo. A cerâmica do sítio de Micaranguera (posteriormente denominada de fase Guarita) recebia um banho de tabatinga (tipo de argila com material orgânico) e eventualmente uma pintura com motivos geométricos, além da decoração plástica que destacava detalhes específicos, tais como seres humanos sentados e com as pernas representadas.

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João Barbosa Rodrigues
João Barbosa Rodrigues faleceu em 1909. Em 1925, o famoso antropólogo Kurt Nimuendaju tentou encontrar Miracanguera, mas a ilha já tinha desaparecido nas águas do rio Amazonas. Arqueólogos americanos também vasculharam áreas arqueológicas da Amazônia, inclusive no Equador, Peru e Guiana Francesa, no final dos anos de 1940. Como não conseguiram achar Miracanguera, “decidiram” que a descoberta do brasileiro tinha sido “apenas de um sítio da chamada ‘Tradição Policrona’ ou seja, “uma sub-tradição de agricultores andinos”. (SILVA, 2013)

Porém, nos anos de 1960, um outro americano lançou nova interpretação para aquela cultura, concluindo que o grupo indígena de Miracanguera não era originário da região, como já dizia Barbosa Rodrigues. Trata-se de um mistério relativo a uma civilização perdida que talvez não seja solucionado nas próximas décadas. Em pleno século 21, a cultura miracanguera continua oficialmente “inexistente” para as autoridades culturais do Brasil e do mundo.
Bibliografia:

SILVA, Carlos Augusto da.  A dinâmica do uso da terra nos locais onde há sítios arqueológicos: o caso da comunidade Cai N’água, Maniquiri-AM /  Dissertação (Mestrado em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia) –– Universidade Federal do Amazonas – Manaus: UFAM, 2010. Disponível em: http://www.ppg-casa.ufam.edu.br/pdf/dissertacoes/2010/Carlos%20Augusto.pdf Acesso em: 9/09/2013


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