segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PAULO ONETY, O DEPSORTISTA ITACOATIARENSE QUE FEZ HISTÓRIA NO FUTEBOL AMAZONENSES, ÍDOLO NACIONALINO E FASTIANO.

 

Todas as pessoas que o viram jogar eram unânimes em afirmar que em campo era diferenciado, um excelente craque que manejava a bola com maestria colocando em perigo os goleiros e zagueiros adversários, se tornando ele ídolo das torcidas do Nacional e do Fast: seu nome era PAULO ONETY
Carlos Zamith, saudoso historiador do futebol amazonense e que foi testemunha ocular da trajetória do craque nos campos do Amazonas, afirmava que Onety estava cinco anos à frente dos demais jogadores, tamanha era sua habilidade.
E para outros Paulo Onety foi o melhor jogador de futebol do Amazonas no século XX.
Considerando um atacante completo nas décadas de 1940 e 1950,ainda na época do amadorismo no Amazonas, ele era franzino mas de grande técnica, Paulo Onety nasceu na cidade de Itacoatiara, no Interior do Amazonas, no dia 6 de fevereiro de 1924 sendo que foi ali que começou a praticar seus primeiros jogos, com animadas peladas por campinhos. jogando limpo e nunca recorrendo à jogadas violentas com os adversários.

O PRIMEIRO CONVITE PARA VIR À MANAUS JOGAR NO RIO NEGRO
Um irmão seu mais velho, chamado Benjamin Onety, residia em Manaus onde fazia parte do time titular do Rio Negro. Benjamin tinha feito parte do quadro rionegrino que foi campeão de futebol do Amazonas de 1938.Ele então convidou seu irmão Paulo Onety, um adolescente de 16 anos, para vir à capital jogar no Rio Negro.
Paulo atendeu o chamado e chegou à Manaus, logo seu irmão o inserindo no time rionegrino. Paulo então estreava fazendo seu primeiro e único jogo pelo Rio Negro que venceu o Independência por 8x3,marcando ele o primeiro gol de sua iniciante carreira esportiva.
Mas seus pais, em Itacoatiara, não queriam o filho longe de casa e pediram que Paulo Onety voltasse ao seu município de origem, pedido esse que foi atendido pelo jovem.
Mas um outro irmão de Paulo e que também era jogador, chamado Luis Onety, fazia parte em 1940 do time do Fast Clube e tinha se transferido para o Nacional e, sabendo do talento do irmão com a pelota nos pés, pediu para que Paulo voltasse para Manaus para agora ser inserido no elenco nacionalino.

VOLTANDO PARA A CAPITAL E SENDO INSERIDO NO NACIONAL
Paulo atendeu o chamado e novamente se dirigiu para Manaus, sendo agora integrado ao quadro titular do Nacional. Ele estreou num jogo do Nacional com o Olímpico onde se destacou, chamado a atenção da diretoria do Rio Negro que quis levá-lo para seu clube, mas ele acabou ficando mesmo no clube nacionalino onde faria história.
Em 1941 Paulo Onety conquistou pelo Nacional seu primeiro título de sua carreira e de campeão amazonense de futebol, fazendo ele parte do ataque junto com os jogadores Caiado, Emanuel, Barrote e Raspada.
Já em 1942 Onety conquistava o bicampeonato estadual pelo Nacional, contando agora Paulo com seus dois irmãos, Benjamin e Luis, no time.Nesse campeonato ele marcou cinco gols na goleada de 13x0 do Nacional no Independência, uma das maiores da história do certame amazonense.
Em 1945 veio outro título do Nacional, o terceiro na trajetória de Paulo Onety, cuja equipe era comandada pelo técnico uruguaio Luís Comitante. E em 1946 Onety conquista outro título estadual pelo Nacional, campeonato esse que não contou com a participação do Rio Negro.
Nessa época, década de 1940,os jogadores do Nacional eram conhecidos como os "meninos de borracha".

CONTRATADO PARA JOGAR NO FAST
No ano de 1947 o Fast Clube era presidido pelo senhor Edson Stanislau Afonso que muito queria Onety em seu time. Para isso ele o convidou para integrar o elenco fastiano. Os dois então se encontraram no bar e restaurante "Leão de Ouro" para uma conversa. Paulo aceitou a proposta mas com a condição de que o presidente lhe conseguisse um emprego. O Dr. Edson aceitou o pedido e conseguiu uma colocação para o craque na secretária de saúde.
Cumprida a promessa, Paulo Onety deixava o Nacional e passava agora a defender o Fast, tornando-se também ídolo na equipe tricolor. Ele conquistou pelo Fast os títulos de bicampeão amazonense de 1948 e 1949,formado um ataque com Pereirinha, Lafayete, Careca e Rui.

A IDA À BELÉM PARA JOGAR NA TUNA LUSO
As notícias do talento de Paulo Onety chegou ao estado vizinho, sendo ele então contratado, em 1950,para defender a Tuna Luso de Belém do Pará.
Onety então deixava o Fast e seu emprego em Manaus e se dirigiu para sua nova empreitada esportiva na capital paraense. Já integrado ao quadro da Tuna, mandou buscar a esposa em Manaus pois fazia pouco tempo que ele havia casado.
Na Tuna Onety fez alguns jogos, entre eles contra a equipe carioca do Madureira, que pela primeira vez visitava Belém. No jogo, realizado em 1951,os cariocas ganharam do time tunante por 2x1.
Mas em fevereiro de 1951 Paulo Onety pediu a rescisão de seu contato com a Tuna, sendo seu pedido aceito pela diretoria e voltando ele ao Amazonas.

A VOLTA PARA MANAUS E A REINTEGRAÇÃO AO FAST
Chegando na capital amazonense, Onety foi reintegrado ao time do Fast e conseguiu um novo emprego no Banco da Amazônia. E no Fast ainda conquistou seu último título do futebol no Estado, sendo campeão amazonense de 1955.
Paulo Onety resolveu encerrar sua carreira dos gramados do Amazonas aos 34 anos, quando ainda defendia o Fast.
O veterano craque foi homenageado com uma grande festa de despedida feita para ele no estádio Parque Amazonense, que foi realizada no dia 20 de julho de 1958. Antes do início do jogo entre Nacional e Fast, Onety recebeu a homenagem no meio do campo do Parque Amazonense, recebendo ele agradecimentos e um belo brinde de autoridades e esportistas. E na sequência ele tirou seus calçados e deu uma volta olímpica pelo estádio bastante emocionado e recebendo muitas palmas do público presente.
Ele ainda chegou a ser técnico, na década de 1960,da equipe do São Raimundo.

PRESENÇA MARCANTE NOS "RIO-NAL"
Como principal jogador nacionalino, Paulo Onety era presença obrigatória nos jogos do Nacional com seu eterno rival Rio Negro, cujos embates entre eles movimentava a cidade. E no seu primeiro título estadual no Nacional, em 1941,Onety e seus companheiros infringiram o vice-campeonato aos rionegrinos.
Na campanha do título do campeonato de 1942,Onety participou do jogo em que o Nacional venceu o Rio Negro por 5x2 no campo dos Bilhares, marcando ele dois gols.
Naquela época o Rio Negro também possuía bons jogadores como Dog, Parintins e Cláudio Coelho.

DEIXANDO SUA MARCA NAS EXCURSÕES DE EQUIPES DE OUTROS ESTADOS AO AMAZONAS
Paulo Onety não se resumiu a balançar as redes somente dos times locais, mas também deixou sua marca nos times oriundos de outras regiões do Brasil que visitaram o Amazonas realizando excursões.
Embora a maioria dos clubes de fora que jogaram contra os times de Onety praticassem já o profissionalismo e ganhassem a maioria dos jogos contra os times locais(que ainda eram amadores), o jogador itacoatiarense tinha atenção redobrada das equipes visitantes, tamanho era o perigo que ele representava na área adversária.
Na primeira excursão de um clube de futebol do Rio de Janeiro ao Amazonas, no caso o América, Paulo Onety marcou o gol de honra do Nacional na derrota de 3x1 para os americanos, no jogo de despedida dos visitantes em 1944.
Em 1947,na segunda visita do Santa Cruz de Recife à Manaus, Paulo Onety marcou os três gols da vitória nacionalina de 5x3 sobre os pernambucanos.
O Moto Clube do Maranhão vem à Manaus, também em1947,e Paulo Onety é emprestado pelo Nacional para reforçar a equipe do Tijuca no primeiro jogo dos maranhenses que vencem os tijucanos por 5x2,fazendo Onety o primeiro gol do time baré.
E uma outra equipe de São Luís, o Maranhão Atlético Clube, também chegava em Manaus no ano de1947,fazendo seu primeiro jogo com o Fast e empatando com o time local por 1x1,cabendo a Paulo assinalar o gol de empate dos fastianos.
O Fortaleza, do Ceará, chega à capital amazonense pela primeira vez e enfrenta o Fast Clube, com Paulo fazendo o gol de desempate e da vitória de 4x3 dos tricolores sobre os cearenses em 1947.
E na pioneira visita do Flamengo carioca à terra de Ajuricaba, em 1950,mais uma vez é Paulo Onety que marca o único gol do Fast na derrota de 6x1para os rubro-negros.
Já na primeira excursão do Vasco do Rio de Janeiro ao Amazonas, em 1953,foi também Paulo Onety que assinalou o gol de honra do Fast na derrota de 4x1 para os vascaínos, sendo esse seu gol considerado por muitos como o mais bonito de sua carreira.
Em mais uma temporada do Clube do Remo aos gramados amazonenses, em 1958,Paulo Onety marcou o primeiro gol do triunfo de 4x1 do Fast sobre a equipe azulina do Pará, tendo ele participado ativamente da jogada que originou outros dois gols.

PARTICIPAÇÃO NO CAMPEONATO BRASILEIRO PELA SELEÇÃO DO AMAZONAS
O campeonato brasileiro de seleções estaduais de futebol, organizado anualmente pela CBD, era a principal competição do futebol do Brasil naquela época, e o Amazonas competia sua classificação na zona norte, geralmente enfrentando a Seleção do Pará que sempre eliminava os amazonenses(com exceção de uma vez).
Onety era presença garantida, nas décadas de 1940 e 1950,na Seleção do Amazonas na disputa da competição nacional, participando ele das edições de 1944,1946,1950,1952 e 1954.
Ele estreou no campeonato de 1944 na derrota do Amazonas por 1x0 para os paraenses em Manaus.
Na disputa de 1946 Onety fez um dos gols no empate do Amazonas de 3x3 com o Pará, jogo realizado em Manaus. Os amazonenses acabaram eliminados.
Na competição de 1950 Onety fez dois gols no empate de 3x3 do Amazonas com o Pará, em Manaus, e um na derrota de 4x1no jogo de volta em Belém.
Já em 1952 ele marcou o segundo gol, na prorrogação,no empate de 2x2 do Amazonas com o Mato Grosso, sendo os amazonenses desclassificados.
Mas o recorde do maior número de gols feito por um único jogador, no campeonato brasileiro de seleções estaduais, pertence à Paulo Onety: Em 1946 no jogo em que o Amazonas goleou o Território do Guaporé(atual Estado de Rondônia)por 9x0,Onety marcou oito gols.

FALECIMENTO E LEGADO
Paulo Onety era formado pelo Colégio Dom Bosco como técnico de contabilidade, exercendo a profissão por muito tempo. Faleceu de parada cardíaca com 67 anos, em São Paulo, no dia 3 de agosto de 1991,cidade onde tinha viajado para tratamento acompanhado de um filho seu.
Seu corpo veio para Manaus onde foi enterrado no cemitério de São João Batista. Deixou um grande legado para a história esportiva do Amazonas.

CONCLUSÃO
Na imagem ilustrativa maior, do ano de 1942, está Paulo Onety quando defendia o Nacional. Já na imagem menor(dentro da maior)está Onety idoso.
Fontes: livro" Bau Velho" de Carlos Zamith, "Jornal do Commercio", jornal "A Crítica", "O Liberal".



fonte:

Gaspar Vieira Neto

Documentarista da história do Futebol Amazonense

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

BESAME MUCHO, nasceu de um beijo que não aconteceu!

  

Você sabia que uma das canções mais famosas do século XX — “Bésame mucho” — nasceu do coração inquieto de uma menina de apenas 16 anos, aluna de um colégio católico rigoroso?
Consuelo Velázquez veio ao mundo em 21 de agosto de 1916, no México. Pelo lado paterno, descendia de uma linhagem antiga, que carregava com orgulho a memória de um bisavô ilustre. Mas, por trás dessa nobreza distante, a família enfrentava dificuldades bem reais.
Seu pai morreu cedo, deixando a esposa com cinco filhos para criar. A caçula, Consuelo, foi enviada a uma escola católica — a mãe sonhava vê-la freira um dia. Mas o corpo frágil da menina não suportou as longas horas de oração: os desmaios e tonturas a devolveram para casa.
Um dia, durante uma festa infantil, o destino se aproximou com mãos de músico. Um pianista convidado percebeu como, aos 9 anos, aquela menina pobre dominava as teclas com graça inata. Impressionado, ofereceu-se para financiar seus estudos.
Entrar no Conservatório Nacional foi descobrir que a vida disciplinada das religiosas era suave diante da rotina de um futuro músico profissional: seis a sete horas de prática diárias, sem fins de semana, sem feriados, sem respiros.
E então, no silêncio da adolescência, surgiu a canção.
“Bésame mucho” nasceu não de uma lembrança, mas de um desejo.
Era o retrato de um amor que ainda não existia.
“Eu nunca havia sido beijada”, confessou Consuelo muitos anos depois.
“Era apenas um sonho. Uma fantasia.”
Com medo de escândalo — afinal, uma jovem “decente” não deveria compor sobre beijos — enviou a música ao rádio sob pseudônimo.
Mesmo assim, a fama a encontrou. Rápida. Imensa.
A mãe ficou horrorizada: como a filha, criada para ser freira, podia ter escrito algo tão… “perigoso”? Estava certa de que ninguém jamais se casaria com ela.
As portas de Hollywood se abriram. Ofertas, contratos, cifras tentadoras. Mas Consuelo recusou. Sonhava com a música clássica, não com canções consideradas ousadas demais para sua época. Depois de um mês, voltou ao México — à família, ao piano, ao país onde sua vida ganharia raízes.
Casou-se uma única vez, não por paixão, mas por destino. O noivo foi Mariano Rivera Conde, editor musical da rádio que divulgara sua primeira canção. Pediu sua mão três anos depois de conhecê-la. Ela aceitou — e com ele teve dois filhos. Ficou viúva 30 anos antes de morrer e nunca voltou a se casar.
Consuelo viveu discretamente, com rendas modestas, mas profunda importância cultural.
Deu concertos.
Compôs cerca de 200 obras.
Presidiu a União dos Compositores do México.
Foi deputada.
E tornou-se uma figura respeitada no cenário artístico do país.
Enquanto isso, “Bésame mucho” crescia além de qualquer expectativa:
– sucesso mundial imediato,
– número 1 nos EUA após três anos,
– traduzida para 120 idiomas,
– vendendo mais de 100 milhões de cópias,
– interpretada por mais de 700 artistas, incluindo Beatles, Sinatra, Elvis Presley e Plácido Domingo.
Tudo isso graças ao sonho de uma menina que, aos 16 anos, escreveu sobre um beijo que ainda não conhecia — e que o mundo inteiro nunca mais esqueceu.

Clique abaixo e ouça a música

  


BESAME MUCHO
Letra: Consuelo Velázquez

Bésame, bésame mucho Como si fuera esta noche La última vez Bésame, bésame mucho Que tengo miedo a tenerte Perderte después Quiero tenerte muy cerca Mirarme en tus ojos Y tenerte junto a mi Piensa que tal vez mañana Estaré muy lejos Muy lejos de ti Bésame, bésame mucho Que tengo miedo a perderte Perderte después



fonte:

Estudos Históricos

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Carta descoberta em 2007 em meio ao arquivo do Memorial Visconde de Mauá RJ, de Princesa Isabel para o sócio de Mauá.

 

A carta rompe com os boatos históricos da "rivalidade" entre Mauá e a Monarquia. A verdade aparece clara que além de serem amigos, eram também cúmplices em projetos sociais.
( Visconde de Santa Victoria era o braço direito de Mauá por toda a vida ). Além de que D. Pedro II do Brasil, agraciou Mauá com o título de Visconde anos depois de sua falência, o que mostra a admiração e falta de interesses financeiros.

Trecho da carta de Isabel para Visconde de Santa Victoria sobre o
Futuro dos libertos, Reforma Agrária e Sufrágio Feminino:

“11 de agosto de 1889 – Paço Isabel
Corte midi

Caro Senhor Visconde de Santa Victória
Fui informada por papai que me colocou a par da intenção e do envio dos fundos de seu Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de Maio do ano passado, e o sigilo que o Senhor pediu ao presidente do gabinete para não provocar maior reação violenta dos escravocratas.

Deus nos proteja dos escravocratas e os militares saibam deste nosso negócio, pois seria o fim do atual governo e mesmo do Império e da Casa de Bragança no Brasil.

Nosso amigo Nabuco, além dos Srs. Rebouças, Patrocínio e Dantas, poderem dar auxílio a partir do dia 20 de Novembro quando as Câmaras se reunirem para a posse da nova Legislatura. Com o apoio dos novos deputados e os amigos fiéis de papai no Senado será possível realizar as mudanças que sonho para o nosso Brasil!

Com os fundos doados pelo Senhor teremos oportunidade de colocar estes ex-escravos, agora livres, em terras suas próprias trabalhando na agricultura e na pecuária e delas tirando seus próprios proventos, realizando uma grande e verdadeira reforma agrária a quem é de direito.

Fiquei mais sentida ao saber por papai que esta doação significou mais de 2/3 da venda dos seus bens, o que demonstra o amor devotado do Senhor pelo nosso Brasil. Deus proteja o Senhor e todo a sua família para sempre!

Foi comovente a queda do Banco Mauá em 1878 e a forma honrada e proba, porém infeliz, que o Senhor e seu tão estimado sócio, o grande e mui querido Visconde de Mauá aceitaram a derrocada, segundo papai tecida pelos maldosos ingleses de forma desonesta e absolutamente corrupta!

A queda do Sr. Mauá significou uma grande derrota para o nosso Brasil!

Mas não fiquemos mais no passado, pois o futuro nos será promissor, se os republicanos e escravocratas nos permitirem sonhar e realizar mais um pouco.

Pois as mudanças que tenho em mente como o senhor já sabe, vão além da liberação dos cativos e que seus sustentos sejam realizados de forma honrosa.

Quero agora me dedicar a libertar as mulheres dos grilhões do cativeiro domestico, e isto será possível através do Sufrágio Feminino!

Se a mulher pode reinar também pode votar!

Agradeço vossa ajuda de todo meu coração e que Deus o abençoe!

Mando minhas saudações a Madame la Vicomtesse de Santa Vitória e toda a família.
Muito de coração

ISABEL


Fonte: 
Memorial Visconde de Mauá RJ e Museu Imperial de Petrópolis RJ.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

OUTUBRO - MÊS DAS CRIANÇAS



Você nunca sabe, mas pode ficar atento: vai que algum filho ou filha, sobrinho, ou neto tenha algum veio literário.

Afinal, todo grande escritor já foi criança um dia.

E o primeiro passo para a literatura é o cultivo da sensibilidade. O segundo, o acesso aos livros.

Pense nisso e dê livros de presente no 'Dia das Crianças '



Leituras Livres

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Hoje é 1º de outubro - Dia do vereador!

 

Reconhecemos quem faz a ponte direta entre o cidadão e o poder público. 

O papel do vereador é ouvir a comunidade, propor leis, requerimentos indicar propostas e fiscalizar o executivo. Garante a transparência no uso do dinheiro público e encaminha soluções no serviço de: saúde, educação, cultura, infraestrutura, entre todas áreas da administração pública. 

A cidade avança, quando a Câmara tem representantes atuantes e propositivos, como tem a o Município de Itacoatiara. Parabéns aos vereadores que com o apoio do prefeito, transformam demandas reais em políticas públicas concretas para o bem da população itacoatiarense da cidade e do interior.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

A Câmara de Itacoatiara realiza cursos gratuitos para servidores e abertos a comunidade, em parceira com o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas - TCE.


 
Programação - PCJAM

LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS - LGPD (LEI 13.709/2018)
Data: 29, 30/09 e 01/10/2025;
Horário: 13h às 17h;
Público-alvo: Servidores dos Órgãos Jurisdicionados e Sociedade Civil;
Carga Horária: 12 horas;

GESTÃO E FISCALIZAÇÃO DE CONTRATOS
Data: 02 e 03/10/2025;
Horário: 13h às 17h;
Público-alvo: Servidores dos Órgãos Jurisdicionados e Sociedade Civil;
Carga Horária: 08 horas;

Ambos os cursos serão ministrados pelo instrutor André Luiz Braga, que atua no TCE-AM há 13 anos e atualmente está como Assessor de Conselheiro no TCE-AM. André também é Pós-graduado em Direito Civil E Processual Civil, Mestre em Sistema Constitucional de Garantias e Doutor em Direito Constitucional.

As inscrições para os cursos devem ser realizadas diretamente na plataforma do TCE, através do link:
👉 https://ecpvirtual.tce.am.gov.br/

Para aqueles que tiverem dificuldade em realizar o cadastro, o Gabinete da Presidência da Câmara estará disponível na segunda-feira de manhã (29/09) para prestar todo o auxílio necessário.

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Como Henry Ford mudou os horários de trabalho no mundo

 

Em 25 de setembro de 1926, Henry Ford tomou uma decisão que transformaria para sempre a rotina de milhões de trabalhadores ao redor do mundo. O empresário, já famoso por ter revolucionado a produção industrial com a linha de montagem, anunciou que seus funcionários passariam a trabalhar 8 horas por dia, 5 dias por semana, sem qualquer redução de salário.

Naquele período, jornadas exaustivas eram a regra. Não era incomum que pessoas passassem 10 a 12 horas por dia nas fábricas, seis ou até sete dias por semana, acumulando mais de 100 horas de trabalho em apenas sete dias. Essa realidade desgastava os operários, comprometia sua saúde e limitava qualquer possibilidade de lazer ou convívio familiar.

A decisão de Ford parecia ousada, mas tinha fundamentos práticos. Ele acreditava que funcionários mais descansados seriam também mais produtivos e cometeriam menos erros. Além disso, via no tempo livre uma oportunidade para que seus próprios empregados se tornassem consumidores de carros, já que teriam energia, renda e dias livres para aproveitar o fruto de seu trabalho. O raciocínio era simples e inovador: se as pessoas passassem a ter finais de semana, poderiam viajar, visitar parentes e, consequentemente, usar automóveis.

Essa mudança ajudou a consolidar o conceito de final de semana como conhecemos hoje. Aos poucos, outras empresas passaram a adotar a mesma medida, pressionadas pela competitividade e pelos movimentos trabalhistas que viam no exemplo de Ford um caminho para melhores condições de vida. Décadas mais tarde, esse modelo seria incorporado às legislações de vários países, transformando-se em padrão internacional.

O gesto de Henry Ford mostrou que reduzir horas de trabalho não significava necessariamente reduzir produtividade. Pelo contrário, podia representar um ganho para empregados e empregadores. A medida mudou não apenas a forma de trabalhar, mas também a forma de viver, abrindo espaço para lazer, convivência social e desenvolvimento cultural.

O 25 de setembro de 1926, portanto, não foi apenas uma data de mudança dentro de uma fábrica. Foi o início de uma nova lógica de organização social e econômica, um marco que ajudou a definir a vida moderna e a relação que temos hoje com tempo, trabalho e descanso.


Curiosonauta


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Colégio Estadual do Amazonas: quem desaba somos nós - Artigo de José Ribamar Bessa Freire


Toca o telefone. É de Manaus. Ouço gemidos? A voz embargada do médico Ivan Meneghini atravessa mais de 4 mil quilômetros e chega a Niterói carregada de tristeza:  

 O nosso Ginásio Amazonense está desmoronando.         

Fez-se um silêncio ensurdecedor. É compreensível. Falar o quê? Dói. Afinal, foi lá no Colégio Estadual do Amazonas (CEA), com mais de 150 anos, que ambos cursamos, ele o Científico, eu o Clássico. Criado em 1869 como Lyceu e depois Gymnásio Amazonense Pedro II, o prédio de estilo neoclássico inaugurado em 1886 exibe fachada simétrica, frontão triangular e imponente pórtico em cantaria de pedra de Lioz. Tombado como patrimônio histórico do Amazonas em 1988, agora agoniza.

Já seria crime inominável deixá-lo em ruínas: escadas, assoalho, janelas e esquadrias de madeira apodrecidos, livros danificados por goteiras na biblioteca, rede hidráulica e elétrica em pandarecos, riscos de incêndio, sanitários entupidos, paredes descascando, cupins no porão, mato e erva daninha na fachada e no teto que ameaça desabar. Mas o mais grave é que seu valor não é apenas material, vale mais porque guarda tesouro imaterial: as digitais de inúmeras gerações de professores, alunos, bedéis, inspetores, zeladores, faxineiros.

Quantas histórias narradas pelo prédio, que arquiva “lembranças tatuadas nos olhos do tempo”, como cantou o poeta Farias de Carvalho, nosso professor de literatura. Da mesma forma que para Flaubert “Madame Bovary c´est moi”, o Colégio Estadual sou eu e todos que por lá passaram.  Quem desaba com ele somos nós.

Lugar de memória

Foi palco de eventos artísticos, torneios esportivos, festas juninas, quermesses, formaturas, trotes, desfiles cívicos com farda de gala e banda marcial, que lhe conferiram uma aura simbólica. Salas, escadas e corredores guardam afetos, emoções e recordações de convivência, que tecem nossa identidade coletiva. No conceito do historiador francês Pierre Nora, o prédio é “lugar de memória”, uma entidade viva e que, no caso, agoniza e pode sepultar com ele nossas saudades indormidas, nossos “sonhos alados” e os vestígios de nossos passos.

– Dos passos que foram dados, nem marcas restam no chão – lamenta o poeta Ernesto Penafort, que entrou sorrateiramente no meu sonho.

Depois de insônia causada pelo telefonema do meu cunhado, sonhei de olhos abertos que, munido da espada do quinto mosqueteiro, subia as escadarias do CEA. Lá dentro, o “poeta do azul”, o ex-ginasiano Penafort, me serviu de guia. Cruzamos com fantasmas. Não eram assombrações, mas espectros do bem, sombras envoltas em nuvem de vapores densos pertencentes a diferentes gerações, que viveram anos fundamentais de suas vidas naquela que, durante décadas, foi a única instituição de ensino público do Amazonas.

– Olha quem está ali – gritou Penafort ao entrarmos no ano 1930.  

Era o aluno Mário Ypiranga com a farda de grosso cáqui cinza-escuro e o escudo do CEA – um castelo de metal. Com seus colegas, resistia na “revolução ginasiana”, quando as salas do prédio foram invadidas por soldados da Polícia para prender estudantes que haviam “morcegado” bondes. Muitos presos, alguns feridos. No dia seguinte, os ginasianos foram às ruas, colocaram pedras e passaram sabão nos trilhos dos bondes, que descarrilharam. A manifestação criou um caos tão grande, que mudou a vida política do estado.

O Diretor Geral de Instrução Pública, Agnello Bittencourt, pediu demissão em agosto de 1930, alegando que “não podia continuar a servir uma administração que autorizara o vandálico tiroteio de um templo, sendo eu parte de seu corpo docente”.  O governador Dorval Porto foi deposto em outubro. O aluno Mário Ypiranga vibrou.

Amor e memória     

A desavença com a polícia continuou.  Dez anos depois, encontramos dentro do prédio a sombra do menino Thiago de Mello, que cursava a 5ª série e narrou outra manifestação da “revolução ginasiana”, a de 1940. A cavalaria da Polícia, com uma pinimba histórica contra os alunos, invadiu uma vez mais o espaço do CEA diz-que para manter a ordem numa quermesse realizada em suas dependências. Os estudantes realizaram uma passeata e, com apoio popular, apedrejaram as casas do chefe de polícia e de políticos corruptos.

– Está tudo no jornal O Castelo do Grêmio Estudantil, mostrando como o CEA sempre se posicionou diante dos acontecimentos políticos locais e nacionais – disse Thiago, que repetiria já adulto essa conclusão no livro Manaus, Amor e Memória no qual entrevista os protagonistas desses fatos.

Thiago apresentou as sombras de alguns colegas. Raimundo Castro, o “Cavalo Velho”, puxava de uma perna, tinha cicatriz no rosto e uma mãe que um dia convidou o futuro poeta a comer supimpa rabada de agrião e suculento refresco de taperebá. José Lindoso tão distraído calçava um sapato de cor diferente em cada pé. No momento em que Thiago dizia que todos os professores eram catedráticos concursados, o Cangalha, chefe-geral de disciplina, tocou a campainha para anunciar o início da homenagem a Vivaldo Lima, já aposentado.  

– Vamos escutar o que o Vivaldo vai falar – disse Penafort.

A sombra daquele que viria a ser nome de estádio de futebol, em seu discurso, deu três sábios conselhos: 1) Quem não conhece os bairros pobres de Manaus, que os visite para aprender com a vida deles; 2) Sempre vale a pena defender a verdade, mesmo que no começo a gente pareça perder; 3) Fiquem sempre do lado daquilo que é justo e correto.

Pescador de memória

O relógio dispara celeremente ano após ano e as sombras se revezam. Paramos em 1963 ou 1964 em uma sala com cheiro do perfume Bond Street. Uma voz dava aulas de história geral sobre Maomé ou o Império Gupta, não lembro bem.

– Bom dia, jovens! – saudou o fantasma que soltava fumaça de cigarro Hollywood pelo nariz. Ele se aproximou e me colocou um óculos de grau. Comecei a ver tudo com nitidez. Era o professor de História, Manoel Octávio, que nos abriu os olhos para o mundo. Na sala alunos que já partiram: Lana de Lys, Ilmar Faria, Flávio Farias, Djalma Limongi, Glória Bezerra. Outros vivos: Helenice Garcia, Henriette Cordeiro, Lenita Arone, Arabi Amed, Ceronir Freire, Denise Benchimol, Tereza Porto Melo, Yedda Guerra, Paulo Jacob.

No mesmo ano, em outra sala, Farias de Carvalho, fundador do Clube da Madrugada, tal qual “um pescador debruçado sobre a superfície silenciosa desbotada do rio da memória” retirava do seu Baú Velho lembranças e reminiscências ali armazenadas. Declamava uma aula aplaudido por Tenório Telles, um ginasiano honorário:

“Meus mortos hão de vir no fim da tarde. / Aguçai vossos dentes, cães do tempo, / vamos comer a morte no crepúsculo”.

Para jantar a morte, fizemos romaria sala por sala. Lindalva Mota, apelidada de “Por-conseguinte-então”, ensinava lógica, silogismo, premissas. Cônego Walter comprovava que “filosofia é a ciência com a qual ou sem a qual, a gente fica tal e qual”.  Na aula de inglês, Miss Bell canta com voz gasguita God bless America, my home sweet home e jura que a democracia está no DNA dos EUANa turma de francês, o professor Miguel Duarte garante que “le lion est le roi des animaux” e capacita os ouvintes para se relacionarem com os bedéis.

Triste epílogo

Hoje inexiste funcionário denominado bedel. Mas no sonho focado nos anos 1960, Penafort conversou com bedéis que circulavam pelos corredores, entre eles Pierre Pirroquê, apelido afrancesado de Pedro Piroca, cujo irmão mais velho era Paulo – o Pirocão e o caçula Saulo – o Piroquinha, apelidos dados não por razões de grandeza anatômica, mas pela ordem de chegada ao mundo.

O chefe dos bedéis era seu Henrique, que viveu 95 anos e morava em uma edícula no terreno nos fundos do ginásio, onde criava um bode fedido de nome Castelo, mascote nas paradas cívicas de 5 e 7 de setembro. O bode com “farda de gala” abria o desfile, seguido por uma pessoa com síndrome de Down – o Bombalá considerado pelo preconceito da época como “doidinho”.  Vestido com calça “pega-marreca”, ele usava um cabo de vassoura como batuta e regia a banda marcial.  

Os protagonistas de muitas histórias estão no livro Gymnasianos de Osiris Silva, que foi presidente do Centro Estudantil Plácido Serrano em 1963. Lá ele discorre sobre os concursos literários, de oratória e de júris simulados e menciona esse humilde locutor que vos fala:

– Foi no concurso de contos que o Ribamar Bessa ganhou o primeiro lugar com o conto “Triste Epílogo”, tendo recebido uma caneta em solenidade simples”.

O título parece antecipar o triste desenlace do prédio. Se ele cair, lembranças como essas serão sepultadas sobre os escombros. A ameaça é real. O sinal de abandono é visto de fora pela vegetação que se espalha pelo teto. A natureza retoma o seu lugar diante da humana negligência – ironiza Felix Valois, ex-ginasiano. 

– “O que o governador Wilson Lima está esperando para restaurá-lo? Que o teto e as paredes caiam sobre a cabeça de estudantes e professores que há anos vêm pedindo socorro por conta do avançado grau de deterioro e insegurança?” – pergunta a professora de História e sindicalista Gleice Oliveira.

Talvez o governador bolsonarista Wilson Lima – o Vil Son – esteja praticando o “prediocídio” para apagar essas histórias, especialmente a da “revolução ginasiana” que derrubou o governador Dorval Porto. Ele confia na impunidade. Afinal, durante a pandemia comprou ventiladores hospitalares inadequados para o tratamento de pacientes com Covid-19, com sobrepreço de 133,67%, segundo o Ministério Público. Quem vendeu – pasmem – foi uma Adega de Vinho. Os ventiladores tomaram um porre e nada aconteceu. Os tempos agora parecem ser outros.

Estudantes do Colégio Estadual, o prédio vai cair se não houver reação. Mobilizem-se.

Ah! Tempo, tempo malvado. Tempo, você está nos enganando?

Referências

Agnello Bittencourt. Dicionário Amazonense de Biografias. Vultos do passado. Rio. Conquista. 1973.

Tenório Telles. Clube Madrugada. Presença Modernista no Amazonas. Manaus. Editora Valer. 2024

Thiago de Mello. Manaus: Amor e Memória. 4ª edição. Manaus. Editora Valer, 2004

Osiris Silva. Gymnasianos. Manaus. Editora Cultural. 20


Por: José Ribamar Bessa Freire*

02 de setembro de 2025

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Após 22 anos, a Câmara Municipal de Itacoatiara lança Edital de Concurso Público 001/2025


A Câmara Municipal de Itacoatiara anunciou, nesta quarta-feira (10), o lançamento oficial do Edital de Concurso Público 001/2025, marcando um momento histórico para o município. O último certame da Casa Legislativa havia sido realizado há 22 anos.

O concurso oferecerá vagas para os seguintes cargos:

Analista de Controle Interno – 02 vagas

Assistente Técnico Legislativo – 08 vagas

Auxiliar Técnico Administrativo – 05 vagas

Agente de Segurança Legislativo – 07 vagas

Copeiro – 04 vagas

Motorista – 02 vagas


Período de inscrições: 22 de setembro a 13 de outubro de 2025.

Edital completo disponível no site: https://inbrasp.org/index.php?menu=concursos&acao=ver&id=684


Durante o ato simbólico no plenário, o presidente da Câmara, vereador Arialdo Guimarães, acompanhado dos demais parlamentares, destacou a importância do certame:

“Este é um marco histórico para o nosso município, pois há 22 anos não se realizava um concurso público na Câmara. O concurso visa fortalecer a estrutura administrativa da Câmara Municipal, garantindo a seleção de profissionais qualificados por meio de critérios técnicos, reafirmando nosso compromisso com a eficiência e o bom funcionamento do Poder Legislativo”.

O edital representa uma grande oportunidade de ingresso no mercado de trabalho, reforçando o papel da Câmara como instituição comprometida com a transparência, a legalidade e a valorização do serviço público.

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