domingo, 10 de dezembro de 2017

Barco N. Sra. do Rosário, vindo de Maués com quase 40 passageiros naufraga no Rio Amazonas


































A embarcação Nossa Senhora do Rosário naufragou na tarde deste domingo (10) no Rio Amazonas, nas proximidades da Ilha do Risco, em Urucurituba (município distante 339 quilômetros de Manaus via fluvial). Segundo informações dos Bombeiros, 38 pessoas estavam no barco. Não houve vítimas fatais.

Conforme apurou a reportagem, a embarcação havia saído de Maués, município distante 253 quilômetros de Manaus, onde estava acontecendo a 38ª Festa do Guaraná. Durante a viagem, o barco teve um problema e o comandante encostou a embarcação na beira do rio. A corda usada para amarrar o barco não aguentou e rompeu com a correnteza. Em seguida, a embarcação foi a pique.
Uma lancha da Inspeção Naval da Agência Fluvial de Itacoatiara (AgItac) e outras embarcações prestaram socorro aos passageiros, que estão sendo conduzidos para o município de Itacoatiara, distante a 270 quilômetros da capital.

Em nota à imprensa, o Comando do 9° Distrito Naval da Marinha do Brasil informou que um inquérito será instaurado para apurar as causas, circunstâncias e responsabilidades do acidente. A Marinha não informou qual era o destino final do barco. 

fonte: Jornal Acrítica - Itacoatiara transparente e IOL

sábado, 9 de dezembro de 2017

Presidencialismo de coalizão condena país ao atraso, dizem pesquisadores

RESUMO Autores argumentam que, apesar do efeito estabilizador do presidencialismo de coalizão, esse sistema condena o país ao atraso, pois seu funcionamento favorece a ação predatória de grupos de interesse. Eles sustentam ainda que a ciência política brasileira precisa se atualizar com base nas revelações da Lava Jato.
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O sistema político criado pela Constituição de 1988 teve um desempenho notável. Em 30 anos, estabeleceu o sufrágio universal, realizou eleições limpas e competitivas, produziu instituições de controle e manteve os militares na caserna.
De lá para cá, sucessivos governos aprovaram reformas estruturais para acabar com a hiperinflação e fomentar políticas sociais baseadas em regras objetivas, num país onde os caciques sempre usaram o dinheiro público para controlar seus currais eleitorais.
A Nova República permaneceu intacta, apesar das turbulências. Dois presidentes eleitos sofreram impeachment e, quando uma coalizão de centro-direita entregou as chaves do Planalto a um grupo de centro-esquerda, não houve derramamento de sangue. O Brasil ganhou um grau de estabilidade política que nossos antepassados não tiveram o privilégio de imaginar.
No entanto, a Nova República preservou alguns dos piores vícios da política brasileira: o clientelismo, a patronagem e a corrupção endêmica. A transição pactuada na Constituinte garantiu a dominância de grupos de interesse particularistas que, operando agora num sistema de regras democráticas, apropriam-se do Estado.
A Operação Lava Jato está expondo as entranhas desse sistema. Hoje, é possível entender como funciona o esquema pelo qual setores nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário trabalham em favor de grupos que buscam obter rendas fáceis, seja por meios legais, seja por meios ilícitos.
A grande descoberta da Lava Jato, no entanto, não é a podridão generalizada da qual tantos brasileiros sempre desconfiaram. O que se aprendeu de mais importante é como funciona a lógica perversa do presidencialismo de coalizão.

DISTORÇÕES
Na superfície, o presidencialismo de coalizão à brasileira é fácil de entender. O presidente da República lida com um Congresso ultrafragmentado. Para se manter no cargo e conseguir governar, ele é obrigado a formar uma aliança integrada por partidos diversos. Até aqui, nada de novo: na Europa, coligações dessa natureza são a regra e funcionam bem.
No Brasil, porém, a dinâmica da coalizão não segue a lógica parlamentarista europeia. Aqui, os congressistas não formam o governo escolhendo o primeiro-ministro; eles convivem com um presidente forte ungido pelo voto popular.
Isso faz toda a diferença: se no parlamentarismo os membros do Legislativo são corresponsáveis pelo êxito do governo, no presidencialismo a sobrevivência política do congressista está dissociada do sucesso de quem governa.
Ou seja, deputados e senadores brasileiros não se empenham em implementar a agenda majoritária que sufraga o presidente. Em vez disso, dedicam-se, acima de tudo, a responder às demandas de sua base eleitoral local, sem preocupação específica com a produção de bem-estar para a maioria.
Andrés Sandoval
Ilustração de Andrés Sandoval
Os Estados Unidos vivem problema similar. Lá, entretanto, congressistas são obrigados a conciliar as demandas de sua base local com as prioridades da agenda nacional das agremiações a que pertencem. Isso ocorre porque o sistema eleitoral gera partidos fortes, e o sistema de primárias mantém as oligarquias partidárias em xeque. Nada disso acontece no Brasil.
Aqui, a combinação de presidencialismo, eleições proporcionais e regras permissivas de financiamento de campanha dificulta a construção de partidos com programas claros (com a rara exceção de PT, PSDB e poucos nanicos) e uma conexão com o eleitor que possa formar a base de um sistema eficiente de responsabilização.
Quando o deputado brasileiro é próximo do eleitor, esse laço não decorre de uma plataforma de governo ou da credibilidade construída ao longo de anos. O vínculo apoia-se, em primeiro lugar, no clientelismo, a troca condicional de voto por acesso a recursos públicos, um fenômeno comum nos rincões e nas periferias das grandes cidades.
Assim, o congressista não se preocupa com a qualidade da saúde da população em geral; a ele basta conseguir um leito hospitalar para o apaniguado que dele necessita. O vereador não liga para a qualidade da educação; para ele, é suficiente batalhar por uma vaga na creche para o filho de um apoiador fiel.
Os legisladores no Brasil apoiam-se ainda em outros instrumentos que também distorcem o regime democrático e tendem a gerar má governança. Um exemplo é a troca entre parlamentares e grandes conglomerados, onde uns oferecem licitações fraudadas e outros proveem recursos ilícitos para financiar campanhas.

ATRASO
O custo desse sistema é imenso, e sua lógica condena o país ao atraso. Não é difícil ver por que isso acontece.
No presidencialismo de coalizão, o chefe do Executivo usa dinheiro do contribuinte para custear as benesses que o parlamentar leva a sua clientela local e a seus financiadores de campanha. É dessa forma que o presidente mantém a sua aliança legislativa.
O titular do Palácio do Planalto, quem quer que seja, é obrigado a operar dessa forma. Ele libera emendas e rifa cargos para que os partidos aliados possam negociar licitações com grupos empresariais. Ele distribui subsídios do BNDES. Vende leis que favorecem financiadores de sua base. Tira a força das agências reguladoras quando elas começam a incomodar a elite empresarial.

O problema não para por aí. Como o presidente precisa proteger esquemas de corrupção endêmica, é no Palácio do Planalto que se arma a arapuca para influenciar a cúpula do Judiciárioe limitar os danos provocados pelas instituições de controle cada vez que uma roubalheira é denunciada.Nesse sistema, a corrupção não é exceção, mas regra. É a atividade ilícita que gera as rendas necessárias para dar sustentação a quem governa e outorgar privilégios a quem está próximo do poder. Nesse mundo, tirar uma lasquinha pessoal é só uma questão de oportunidade.
O presidente estende aos congressistas o seu manto de proteção, nomeando gente de confiança para órgãos como Supremo Tribunal Federal, Tribunal de Contas da União e Tribunal Superior Eleitoral. Em tese responsáveis por limitar o poder do Executivo, essas instituições controlam pouco e controlam mal. Dentro delas próprias proliferam casos de tráfico de influência e corrupção.
Não à toa, nesses 30 anos de Nova República, nossos mandatários alopraram com o uso ilegal de recursos para custear apartamentos, chácaras, reformas da casa da sogra, empregos para os filhos, mesadas para irmãos ou cabeleireiros de renome.
Todos os ex-presidentes hoje vivos, sem exceção, terminaram às voltas com a Justiça. Quem não responde a um juiz se livrou por idade avançada ou por morosidade do Judiciário.
Ao presidente não basta possuir um arsenal de medidas provisórias, cargos públicos, ameaças de veto e balcão de emendas para organizar a maioria parlamentar. Se quiser governar e sobreviver no Planalto, ele deve gerir a distribuição tanto de benesses legais quanto de oportunidades de corrupção.
Essa operação sacrifica a produção de bens públicos —hospitais decentes, boas escolas, transporte de qualidade e uma Justiça célere e coerente.

CUSTOS
Quem ganha com isso? Cartéis de empreiteiras que fraudam concorrências, sindicalistas que cobram pedágio para suspender greves e lobbies como o dos seguros de saúde, que oferecem um serviço ruim a peso de ouro e ainda repassam seus prejuízos à viúva.
O presidencialismo de coalizão se tornou um império dos grupos de interesse: juízes bem pagos recebem auxílio-moradia, alunos ricos estudam em universidades públicas gratuitas e grandes conglomerados têm as dívidas custeadas pelo contribuinte. O sistema viciado transfere renda de baixo para cima.
Temos uma sociedade rendida. Apesar de viver numa das maiores economias do planeta, metade de nossos cidadãos não possui acesso a saneamento básico. O Estado gasta as burras com educação, mas milhões de brasileiros são analfabetos funcionais. Mesmo com investimentos bilionários no SUS, eleitores morrem na fila do hospital, como se este fosse um país pobre.
A má governança nas políticas públicas é resultado direto do regime do presidencialismo de coalizão inaugurado pela Nova República. O custo desse sistema é alto.
Não basta o presidente distribuir emendas parlamentares e cargos públicos para selar o apoio da base aliada, como argumenta Carlos Pereira em "Vocês não gostam de mim, mas o Congresso gosta" ("Ilustríssima", 29/10). Esse raciocínio, defendido por parte da ciência política brasileira, ignora a montanha de gastos indiretos embutidos nessa forma viciada de conduzir o país.
O presidencialismo de coalizão também é um desastre para a economia. Como o jogo político favorece grupos de interesse enquistados no Estado, quem tem força tira proveito do erário em benefício próprio. O resultado é uma "sociedade da meia-entrada", na expressão insuperável de Zeina Latif e Marcos Lisboa.
Assim, esse sistema sacrifica o crescimento econômico porque demanda um Estado inchado que, entregando muitos recursos para poucos privilegiados, mal contribui para o aumento da produtividade e da riqueza nacional.
Esse Estado precisa aumentar a carga tributária a todo momento, mas, como não há dinheiro que dê conta das demandas, também emite dívida pública, flerta com o populismo fiscal e asfixia o investimento. Na Nova República, o Brasil gastou a rodo sem com isso vencer o subdesenvolvimento.
Esse tipo de presidencialismo ainda pôs o Brasil no centro de uma rede transnacional de crime organizado. Como as máfias no poder superfaturam contratos públicos para gerar recursos de financiamento de campanha, elas necessitam de doleiros para lavar o dinheiro no exterior. Também demandam contratos firmados fora das fronteiras com empréstimos do BNDES.
Assim, as quadrilhas instrumentalizam visitas oficiais, acordos diplomáticos e linhas de crédito internacional com a anuência e a cumplicidade de bancas de advogados, diretores de empresas estatais e bancos estrangeiros.
Da Colômbia à França, de Angola a Cingapura, de Ciudad del Este a Caracas, o presidencialismo de coalizão internacionalizou o crime com vistas a financiar campanhas e manter unida a base aliada.

CONTROLES
É inegável o avanço institucional dos últimos 30 anos. A força do Ministério Público, a capacidade investigativa da Polícia Federal e as redes de funcionários comprometidos com o combate à corrupção são o melhor testamento disso. Mas o sistema brasileiro de pesos e contrapesos funciona mal.
Há muitos exemplos. O Executivo conta com uma liderança informal na cúpula do Judiciário. As indicações para o alto escalão da Justiça são ao mesmo tempo politizadas e desprovidas de controles efetivos.
Nas cortes superiores, existe sempre a possibilidade de ministros tirarem vantagem monetária do cargo que ocupam por meio de negócios paralelos ou pela capacidade de alavancar familiares para posições de influência.
Além disso, tribunais de contas podem ser cooptados ou comprados. Comissões Parlamentares de Inquérito são criadas quando se quer abafar um escândalo ou extorquir alguém, e tribunais eleitorais podem publicar peças de ficção.
A lógica dominante nos tribunais não é a da independência e da imparcialidade, mas a costura de acordos com a classe política e empresarial. Há uma falta geral de "accountability", a obrigação que as autoridades têm de prestar contas a instâncias efetivas de controle.
Como a classe política e seus patrocinadores vivem de parasitismo, seu apego a esse esquema é desesperado. Qualquer mudança que pareça ameaçar-lhe a sobrevivência é rebatida com toda força. Por esse motivo, a Operação Lava Jato não é regra, mas exceção: a impunidade continua sendo a moeda corrente da política brasileira.
O problema é que, sem efetiva responsabilização, qualquer democracia definha. Quando faltam controles, o resultado é um governo de quadrilhas, sejam elas de esquerda, de centro ou de direita.

CIÊNCIA POLÍTICA
O presidencialismo de coalizão é estável. Não é por estar apodrecido que o sistema deixa de vigorar. O esquema é tão seguro que até mesmo o presidente Michel Temer (PMDB) continua no lugar —e olha que sua taxa de aprovação popular se aproxima da taxa de inflação.
Nada indica que o sistema vá entrar em colapso no futuro próximo. Aliás, quando a única ameaça real a seu funcionamento apareceu em cena —a Lava Jato—, as forças políticas se uniram na operação abafa que hoje avança a passo acelerado.
A ciência política brasileira já explicou os porquês dessa estabilidade. A obra seminal de Argelina Figueiredo e Fernando Limongi, "Executivo e Legislativo na Nova Ordem Constitucional" (FGV, 1999), explora os mecanismos pelos quais o presidencialismo de coalizão se sustenta.
Essa obra também deu origem a um influente programa de pesquisa que uniu cientistas políticos brasileiros e estrangeiros. O argumento comum é que o presidencialismo brasileiro teria elementos de parlamentarismo. A mensagem central é a de que um chefe de Estado forte consegue atrair os legisladores e formar coalizões estáveis no Congresso para aprovar sua agenda legislativa.
Por causa desse mecanismo, esses pesquisadores sempre consideraram que a agenda legislativa era comandada pelo presidente. Essa é a impressão que se tem à primeira vista: a maioria das leis aprovadas tem origem no Palácio do Planalto.
Agora, no entanto, sabemos que a agenda legislativa está à venda para quem pagar mais. Quem ocupa o Planalto é refém dos grupos rentistas. Estes, por sua vez, precisam da caneta presidencial para sobreviver.
Sim, o sistema é estável, e sim, é no Planalto que se constroem as alianças entre legisladores e grupos de interesse que ditam a agenda legislativa. Mas o custo dessa estabilidade é intolerável num regime democrático.
É em regimes autoritários que tais arranjos são o pão de cada dia, como mostram os cientistas políticos americanos Bruce Bueno de Mesquita, Alastair Smith, Randolph Siverson e James Morrow em seu livro "The Logic of Political Survival" (a lógica da sobrevivência política, MIT Press, 2003).
O entendimento existente sobre o funcionamento do presidencialismo brasileiro precisa de atualização. Antes da Lava Jato, era impossível ter essa compreensão da política nacional. Agora, as evidências coletadas pela operação jogam luz sobre os desafios da Nova República.

O QUE FAZER?
Não há saída óbvia para o problema que aflige a política brasileira, nem há receita única para melhorar a qualidade da democracia no país.
Estamos mais longe do que se pensava de Portugal e da Espanha e mais perto da Rússia e da Turquia, países onde o entulho autoritário permanece forte.
Embora o risco de uma guinada à la Putin ou à la Erdogan seja baixo, o modelo de governança no qual a elite rentista do Brasil distribui privilégios a uns poucos é perigoso. Além de ineficiente, tal forma de gerir a vida coletiva é incompatível com uma democracia moderna, abrindo espaço para aventuras extremistas.
A crise demanda reformas profundas. O principal objetivo deveria ser vincular a sobrevivência política do congressista à provisão de bens públicos, e não à oferta de boquinhas para grupos de interesse.
Uma forma de resolver esse problema seria forçar os partidos a encarar agendas nacionais, em vez de servir de balcão de negócios para grupos particularistas.
Eleições majoritárias (com primárias obrigatórias) para a Câmara dos Deputados —usando um sistema distrital ou o sistema francês de dois turnos— ajudariam a encaminhar o sistema brasileiro nessa direção virtuosa (as poucas novas regras aprovadas pelo Congresso neste ano são, infelizmente, inócuas).
Outra reforma positiva seria a redução da capacidade que o presidente tem de "comprar" votos no Congresso. Para isso, ele teria de contar com menos cargos de confiança para distribuir e menos poder para repartir nacos do Orçamento entre seus apoiadores. Tal decisão demandaria uma reforma administrativa radical.
Ainda caberia pôr fim às relações espúrias entre o Judiciário e o poder político. É necessário coibir a discricionariedade do Executivo na nomeação de juízes de cortes superiores e criar "accountability" na máquina judicial. Há numerosos exemplos de boas práticas mundo afora.
Por fim, é necessário tirar o dinheiro fácil da política. Partidos precisam ser pobres; seu êxito deve depender, acima de tudo, do trabalho voluntário de pessoas que acreditam em suas pautas —somente assim os políticos serão obrigados a responder com ações efetivas às demandas da sociedade.
As empresas devem ficar longe do processo eleitoral, e os cidadãos devem ter o direito de contribuir com quantias limitadas. Por isso, o fundo partidário aprovado pelo Congresso é um exemplo vergonhoso de má governança.
As dinâmicas inerentes ao nosso presidencialismo de coalizão comprometem e subvertem a qualidade da democracia brasileira. Elas produzem serviços de péssima qualidade, contas públicas desequilibradas e instituições de controle ineficientes, além de incentivarem o crime transnacional.
O desafio de reformar o Brasil é imenso. Quem quiser entrar para a política pensando em arrumar as coisas deve ter clareza da guerra que terá de travar. Isso vale para os grupos de jovens que agora se mobilizam à esquerda e à direita.
A disfunção do nosso sistema político não é destino. Basta mudar as regras do jogo para termos resultados melhores. Tal capacidade de renovação é a promessa da democracia. Trinta anos depois da fundação da Nova República, chegou a hora de mudar.


fonte: Jornal Folha de São Paulo
Este ensaio é uma adaptação de um artigo acadêmico intitulado "The Failure of Multiparty Presidentialism" (o fracasso do presidencialismo multipartidário), que sairá no "Journal of Democracy", em 2018.
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EDUARDO MELLO, 32, é professor de relações internacionais da FGV. Cursou doutorado na London School of Economics.
MATIAS SPEKTOR, 40, doutor pela Universidade de Oxford, é professor de relações internacionais da FGV e colunista da Folha

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Francisco Gomes, lança livro sobre a Fundação de Itacoatiara em grande estilo na Casa da Cultura.

O lançamento do livro Fundação de Itacoatiara, do historiador Francisco Gomes da Silva, contou com a participação da nata da sociedade itacoatiarense. Estiveram presentes empresários, alunos, professores, poetas, escritores, cantores, músicos, artistas, artesãos e demais membros da comunidade itacoatiarense. Além de um considerável público, que lotou as dependências da Casa da Cultura, tanto que ainda ficaram pessoas para o lado de fora assistindo as apresentações que antecederam a apresentação do autor da obra: Fundação de Itacoatiara 330 anos. O prefeito Antônio Peixoto, fez a abertura do evento e saldou o escritor Francisco Gomes e o público presente, também estiveram presentes os vereadores A.I .Neto e Jhonilson Mendes, o Delegado Paulo Barros, Moisaniel da Rede Amazônica, como a equipe do Amazonsat, o Dr. Euler Ribeiro, o bispo Dom José Ionilton, o escritor Almir Barros, Reinaldo Souza da SEDUC, o diretor da Escola Maria Ivone Prof. Alexandre Rocha, Prof. Salomão Barros, Sr. José Batista e a Sra. Lia Vasconcelos, Sr. Silvio Joelson e esposa, Sr. Getúlio Lima, Raimundo Gomes e sua esposa Mariazinha, Sr. Raimundo José Vasconcelos e esposa e irmã de Francisco Gomes, Dr. Gláucio Alencar e Dr. Camilo Onety entre outros. Os membros da Academia Itacoatiarense de Letras: Presidente Frank Chaves, Vice-presidente Dr. Raimundo Silva, Rafael Neves, Carlos Barros, Claudemilson Oliveira, Antonio Valdiney, Thyrso Munoz e Guilherme Fernandes, os secretários de Cultura Cleutemberg Pantoja, Gracimira da Finanças e Genildo Oliveira da Assistência Social. O evento foi animado pelo maestro Ely Pereira, sua esposa Katiane e pelo Aldemir do Sax que fizeram um show a parte. Na ocasião foi servido um delicioso coquetel, momento em que o autor, passou a receber os cumprimentos dos amigos e passou a autografar a obra para os presentes. O evento aconteceu nesta sexta (01/12) na Casa da Cultura e foi promovido pela Prefeitura de Itacoatiara, através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo – SEMCTUR. E contou com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

MACHADO DE ASSIS E A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO






Não constitui novidade no mundo literário, a afirmativa de que o menino pobre que nasceu no morro do livramento, no Rio de Janeiro, em 21 de junho de1939, Joaquim Maria Machado de Assis, foi o maior escritor de língua portuguesa de todos os tempos. Um dos seus ilustrados biógrafos, o professor Evanildo Bechara, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, afirma que ele conseguiu "conciliar a construção clássica e a modalidade espontânea do idioma do seu tempo". Machado de Assis começou muito cedo o seu fazer literário, escrevendo no periódico "Marmota Fluminense", que era o espaço onde se encontravam jovens poetas e escritores iniciantes. Iniciando-se na poesia, Machado de Assis sob o título "A Palmeira", construiu os seus primeiros versos publicados em janeiro de 1855. Cuida-se, nestas linhas, de identificar a importância do universo linguístico de Machado de Assis, tanto na parte essencialmente gramatical, como no que se refere à natureza lexical da língua portuguesa, com a influência do imortal escritor na expansão do conhecimento do idioma no mundo. Frequentando o Gabinete Português de Leitura, existente àquela época, Machado de Assis tomou conhecimento da produção literária dos escritores clássicos portugueses e assimilou o conteúdo da linguagem correta e dos usos e costumes linguísticos. Para ele, a gramática não é apenas "a arte de ensinar a falar e a escrever corretamente a língua", mas sim de "assentar a sua ciência filológica". E sobre este tema, Machado se alinhava aos gregos, que imaginavam ter nascido a gramática sob dois compartimentos: "o lógico-cognoscitivo e o didático-normativo". Ele defendeu o uso da língua portuguesa no Brasil, da mesma forma que era praticada em Portugal, considerada a língua comum, ao contrário de muitos brasileiros que defendiam a língua própria do Brasil, sobretudo depois de nos tornarmos nação independente de Portugal, em 1822. A tese de dois idiomas distintos, um no Brasil e outro em Portugal não prosperou. É lógico que as línguas se alteram com o tempo e por imposição dos usos e costumes, mas sempre com a preservação das suas fontes legítimas, que são o povo e os escritores. Podemos falar,então, de ideário linguístico de Machado de Assis, no que ele praticava com o conteúdo da sua primorosa produção literária, com a linguagem de formato clássico, com uma beleza de estilo e correção gramaticais não encontradas em outros escritores, e que exerceu enorme influência sobre os escritores do seu tempo e os que vieram depois, para a construção e o uso correto da língua portuguesa em todos os continentes onde é falada e escrita. Ele também usava costumes linguísticos populares na sua literatura, praticando o virtuoso labor literário entendido pelos analistas como conciliação da construção clássica com a modalidade espontânea do idioma. Tratando-se da importância da língua portuguesa no mundo, a pertinente abordagem passa pela expansão do império português que, na Europa foi o primeiro a expandir-se a quatro continentes e também foi o último a desmontar-se, o que confirma a informação histórica de que a língua portuguesa atualmente se encontra presente em todos os países que promoveram a sua descolonização do império da terra de Camões, que, como se imagina, não poderia ser diferente. Da narrativa histórica da língua, assimilamos a compreensão de que todos os países que se libertaram da colonização portuguesa, adotaram a língua portuguesa como o idioma oficial nos seus territórios. E durante dois séculos e meio, do começo do século XVI a meados do século XVIII, afirmam os estudiosos do tema, que o uso da língua portuguesa tinha dimensão planetária, sendo que após aquele período e até a segunda guerra mundial, o francês tomou o seu lugar e depois o inglês. O português ainda se coloca, na atualidade, como um idioma de importância internacional. É a língua oficial ou segunda de oito países, situados em quatro continentes: Portugal, na Europa; Brasil, na América do Sul; Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, na África e Timor-Leste, na Ásia. Temos, ainda, o português como a língua oficial de Macau, região administrativa especial da China, em cujo país a língua vem alcançando uma importância crescente. Encontramos a língua portuguesa também em Goa, Damão e Diu, territórios que hoje pertencem à União Indiana, mas que já estiveram sob administração de Portugal. Ainda se encontra o português na Galiza, região da Espanha, onde existe inclusive a Academia Galega da Língua Portuguesa. Estimativa confiável aponta que 250 milhões de pessoas falam português no mundo, equivalendo a 4% da população mundial, que envolve mais de 10,6 milhões de km² e corresponde à 7ª parte da terra. Hoje o português se encontra na 5ª posição entre os idiomas mais falados no mundo, ficando atrás apenas do inglês, do francês, do árabe e do espanhol. Sei que o assunto é apaixonante para estudar e conhecer, na medida em que se trata da nossa língua materna, e por isso voltarei, na próxima publicação, com a segunda parte da abordagem neste formato de síntese dos pertinentes estudos.

Por: Raimundo Silva - Vice presidente da Academia Itacoatiarense de Letras

Vou embora para o passado - Memórias de Mário Benigno



Meu hobby arrumar e contar história envolvendo o passado. Quem achar que é caretice lembrar o passado que me perdoem. A dor que mais dói é a dor da saudade, mas com quem lembrar se todos ou quase todos meus contemporâneos já se foram, mas vale apena recordar sou saudosista, mas quem não é...! 

Vou embora para o passado, lá tem quarteto musical “cristal” de Luiz Gama no violino, Luiz Pinga com o vozeirão que Deus lhe deu, João Onety e Luiz Bacural no violão, serenatas nas noites enluaradas com ou sem estrelas, ausência da luz artificial na negra escuridão salpicadas de estrelas entoando as mais lindas canções de amor na janela da mulher amada. 
Lá tem ruas interditadas ornamentadas com bandeirinhas e corrente de papel de seda e crepom, festas juninas palco da moçada apresentarem dança das quadrilhas, dos tucanos, poetas José Barros e Eliezer Fernandes versando com bumba meu boi nas noites de São João, compadres, amigos, rapazes, moças e crianças brincarem de rodas entoando canções passadas de geração a geração dar as mãos colorindo à realidade das crianças ou ao seu imaginário ecoando nas paredes do tempo com fogos de artifícios a pipocarem no ar. 
Vou embora para o passado tem restinga do ingaipau enchente do Rio Amazonas forma o piscinão natural do “campo do Ozório” onde moçada se diverte. Tem balneário da prainha recanto aprazível ao sombreiro de suas árvores e palmeira do buritizal, quietude das águas e brancura de suas areias convite para se banhar o corpo, refrescar e purificar nosso estado d’alma. 
Estrada do fomento agrícola engenheiro agrônomo Dr. Fiuza Lima para gerenciar o órgão e o encarregado de adubar e fertilizar a terra Honorato Senna.
Tem pesca da piracema e íngreme peral do jauary, correnteza das águas palco do pescador, tarrafa tingida com folhas de crajiru para ludibriar o peixe, caboclo na proa da canoa com experiência e habilidade que lhe é peculiar lança seu cesteiro colher o onipresente jaraqui poupança do pescador, peixe nos tabuleiros, feiras e mercados em cambadas e fieiras, lei da oferta e da procura, uma é dois, três e cinco conto de reis e dá mais um de lambuja. 
Na outra margem do rio tem pesca artesanal da tartaruga, pescador artífice no manejo de sua montaria (canoa) e ferramenta de trabalho arpão e zagaia observa o quelônio à longa distância no jogo de vista lança a ferramenta, pontaria certeira e o quelônio arpoado ergue o troféu e conquista o pódio. 
Vou embora pro passado têm o apreciar no porto do Mercado Municipal aviões aquáticos da Panair do Brasil aquantiarem, piloto alçar a boia-âncora, catraieiro João Balby conduzirem com segurança os passageiros até o porto de desembarque, espetáculo decolar e levantar voo da belonave no embalo da correnteza do Rio Amazonas voar sob o céu de brigadeiro.
Têm os bicheiros munidos de lapiseira ou lápis, caderneta para fazer anotações do jogo com direito a apostas, palpite e adivinhações promessa de acertar no grupo ou simples no jogo da sorte, se joga no jacaré tinga dá o Assú perde a parada. 
Vou embora para o passado tem o terreiro da macumba galinha preta na encruzilhada para refazer o amor perdido ou a fortuna que se evadiu, os mais afoitos pedem o espírito imoral com o caboclo da perna grossa. Lá “sou fio da veia em mim não pega nada a veia forte na encruzilhada”.
Lá, tem as lavadeiras de cacimbas à beira dos igapós, Iracy e lago do Jauary ensaboam roupa com o sabão em barra borboleta, tuxaua, pintado, cutia, anil imperial, para clarear apagar carocha ou nódoa usam barrela de boi, seca desmanchada n’agua em fusão com limão caiana fica alvinha que dá gosto, depois do enxaguo estende ao sol sobre a grama natural odor agradável do capim patichuli.
Vou embora para o passado, fumantes se deliciam com cigarros e cigarrilhas das marcas Elmo, Astoria, Víctor, Dalila, Hoolywood, Continental, extra forte sem mistura cigarro Duquesa, e o tabaco de mole mentolado. Ah! Os biriteiros com seu ritual tomar uma pinga e jogar outra pro santo.
Tem nas manhãs de domingo, chique da rapaziada com seu cavalo alazão, manga larga, e poldro puro sangue, jóquei clube improvisado hipódromo Avenida Ruy Barbosa trecho compreendido Isac Peres até o matadouro municipal para corridas de cavalos 
Vou embora para o passado tem rádio difusora “voz sapinho”, alcunha devida o coaxar dos batráquios aquático na lagoa pertinho do estúdio sem impermeabilização. Tem cines Geny do Luiz Pomar, Cinco Unidos do Dib Barbosa e Alvorada do Grupo Chibly exibindo em CinemaScope Victor Mature em Sansão e Dalila, Manto Sagrado, Demétrius e os Gladiadores, Tarzan rei das selvas com Johnny Veissmuller, Jany e boy. 
Tem o navio do Lloyd brasileiro Raul Soares, Almirante Alexandrino, Poconé e Hilary Boot Lene atracados no porto da cidade desembarcando mercadorias para consumo da cidade e embarcando produtos regionais destino sul do país e mundo afora.
Feira livre vendendo do cheiro-verde ao pé-de-moleque enxertado com castanha do Brasil, variadas frutas naturais sem agrotóxico, farinha seca e d’água, jerimum caboclo e o bolo de milho do seu Joaquim. Tem o olho d’água no vertente do porto do Lloyd a borbulhar e jorrar o precioso líquido filtrado pela própria natureza para o saboreio dos usuários. 
Vou embora para passado, tardes de domingo no Estádio Floro de Mendonça assistir clássicos do futebol amador praticar arte do rei Pele, ouvir RDI e o vozeirão do Antero Serudo Rebelo narrando colocando o ouvinte como se estivesse à beira do gramado, comentário intermediário Luiz Onety, Antônio Batista, Mário Benigno, Raimundo Nazaré controle técnico Arlindo Fonseca o boroboro. Tem a farmácia “Triunfante” do Argus do Amaral Valente atendendo no domicilio lutando por um lugar ao sol.
Tem tardes ensolaradas saboreio geladinho do guaraná Rio Negro suavizar sede calor de 39º. À noite no largo da matriz café do “pocoxito” pãozinho das 10h da noite da padaria “beijou” da dona Esperança Oliveira, fresquinho deitar na manteiga saboreá-lo com bom apetite. Bate-papo informal até altas horas, frequentadores sem medo do bicho homem e sim das almas santas perdidas, fantasmas, matin-pereira mula sem cabeça e a porca preta. 
Vou embora para o passado tem o bar Imperial do Sr. Maximino Araújo com sua seleta freguesia das 11:00 horas: Cristovam Hermida, Heli Paiva, Antônio (Antonico) Ferreira, Prefeito Antônio de Araújo Costa e seu assessor Raimundo Perales a degustarem um especial aperitivo.
Tem Bar do povo do Carlos Barros e seu parceiro Carmello Perrone, contraste: proprietários e garçons todos desnudo da cintura à cima e as cadeiras bem vestidas encapadas de linho branco com letras inicias aplicadas em alto relevo. 
Vou embora para o passado lá tem Luiz da Paz Serudo Martins parceiro especial enturmando com Paulino Gomes, Toniquinho Mendes, João Rodrigues bochecha e Alberto Nascimento, nas manhãs de sábado dia dos homens vazios fazer via sacra pelos lugares pitorescos botequins, bares e boteco saborear famosa meladinha (cachaça com mel de abelha), e o afrodisíaco xexuá conversar e contar potocas no quiosque do Chico Honorato.
Festa do Divino os primórdios Roldão Alves, Manoel Português nos preparativos das festividades, alvorada banda musical orquestrada pelo saxofonista Doca Rates, fogos de artifício a pipocar no ar, anunciando para os quatro cantos da city que a festa vai começar senhoras templários Guerreiros de Cristo preparando guloseimas para distribuir entre os irmãos devotos, velha tradição. 
Vou-me embora para o passado, aguerrido camarada comunista Paulo Pedraça Sampaio, amigo de grandes tertúlias políticas bebericarem loura suada no bar do Lioca, pra variar garapeira do Augusto Hipólito degustar saboroso caldo de cana geladinho, vontade de tomar gritando quanto atinge o dente sensível e não quer jogar fora o produto. 
“Tempo bom/que não volta mais/saudade do que passou”.

fonte: Mário Benigno Mendes.

domingo, 26 de novembro de 2017

Obra histórica de DEBRET produzida no período imperial apresenta erro mecânico!

Engenho manual, Debret
“Engenho manual que faz caldo de cana”, aquarela sobre papel, 17,6 x 24,5 cm, J.B. Debret, Rio de Janeiro, 1822.


O artista

O francês Jean-Baptiste Debret viveu no Brasil entre 1816 e 1831. Registrou em dezenas de aquarelas e em notas pormenorizadas o que conheceu no Brasil daqueles anos. Suas gravuras mostram cenas e paisagens urbanas e rurais do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo o historiador Jaelson Bitran Trindade, é provável que Debret não tenha saído do Rio do Janeiro e que suas imagens e notas referentes a outras províncias, especialmente do Rio Grande do Sul, tenham sido feitas a partir de desenhos de outro artista. Debret foi, também, o pintor oficial da família real para quem executou retratos, telas históricas, pinturas murais, quadros religiosos e alegorias. Ao regressar à França, em 1831, deixou esse trabalho no Brasil. Seus desenhos, aquarelas e textos, foram publicados na Europa, entre 1834 e 1839, com o nome Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, 1816-1831, em três volumes, 508 páginas de texto e 156 estampas.

A obra do engenho manual 

“Essa máquina pequena, bastante comum, que eu vi instalada em uma das lojas do Largo da Carioca [Rio de Janeiro], serve para espremer o caldo da cana. Este, que é uma espécie de licor, não pode ser conservado mais de vinte e quatro horas sem fermentar, a menos que em preparo especial, e serve diariamente aos vendedores de bebidas para adoçar uma bebida bastante refrescante chamada capilé, cujo preço diminuto propagou o uso. Pode-se ter uma ideia das grandes moendas por este pequeno modelo, desde que se acrescente um motor hidráulico ou movido por animais. Os cilindros da máquina têm, então, 120 a 150 cm de altura, e ela é construída sempre debaixo de um grande barracão. A simplicidade do mecanismo deste pequeno modelo, exige um negro a mais, colocado atrás da máquina para repassar a cana, já esmagada pelo primeiro cilindro, no segundo, o qual a esmagará mais uma vez. Nas grandes moendas, o segundo negro é substituído por cilindros a mais, colocados de maneira a forçar a cana a passar entre os últimos rolos que acabam de esmagá-la, recolocando-a para o lado em que fora introduzida. O tamanho da máquina e a pouca força do motor, aqui representados, só permitem esmagar a pequenina cana indígena. O mais inteligente dos negros é encarregado de introduzi-la entre os cilindros e de retirar o bagaço, que ainda cheios de suco é aproveitado na alimentação de cavalos e bois, pois os fortificam e engordam em pouco tempo. No fundo da loja, veem-se uma mesa e seu banco preparados para os consumidores que vêm beber, ou somente comprar certa quantidade de caldo de cana vendido por medida. O feixe de cana encostado a um banco, no primeiro plano, dá uma ideia do tamanho bastante mesquinho dessa espécie de cana indígena.” (DEBRET: 1971, p. 20) 

O “erro de Debret” 

Alunos do CEFET-MG descobriram, um erro na mecânica das engrenagens da moenda desenhada por Debret. De acordo com o movimento rotativo da moenda, causado por dois escravos, o terceiro que vemos manuseando a cana-de-açúcar deveria estar recebendo a cana com a mão esquerda e enviando com a mão direita, o contrário do que acontece na gravura. É impossível introduzir a cana entre os cilindros de moagem de forma como fazem os escravos da pintura. Os alunos construíram um modelo em escala menor e comprovaram o que ficou conhecido como “erro de Debret”.


fonte: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/vida-urbana-no-brasil-segundo-debret/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues

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