A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, costuma ser apresentada como o fim da escravidão e, ao mesmo tempo, como o início do abandono dos antigos escravizados pelo Estado Brasileiro. Tornou-se comum afirmar que a abolição ocorreu sem qualquer planejamento para integrar os libertos à sociedade.
domingo, 2 de agosto de 2026
O Que Viria Após a Lei Áurea no Terceiro Reinado?
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Casa das antigas famílias judaicas Benchaya e Ezaguy
A casa Benchaya e Ezagui, fica localizada na esquina das ruas Francisco Glicério e Álvaro França, no tradicional bairro da Colônia, constitui um dos mais importantes exemplares remanescentes da arquitetura urbana do ciclo da borracha em Itacoatiara. O imóvel pertenceu à família de Orovida Benchaya e Leão Ezaguy, pais de Rubens José Ezaguy, popularmente conhecido como “Chunito”, considerado o último descendente da comunidade judaica marroquina a residir permanentemente no município, transferindo-se para Manaus na década de 1980. A presença da família Ezaguy integra a importante trajetória dos imigrantes judeus marroquinos que se estabeleceram em Itacoatiara entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico, comercial e social da cidade.
Ao longo de sua história, o imóvel também abrigou diversas atividades comerciais que marcaram a memória urbana itacoatiarense, entre elas a garapeira do Sr. Augusto Hipólito, a empresa J. Mendes Publicidades, do artista parintinense Jair Mendes, e a tradicional Eletromotores Karim. Posteriormente, a residência pertenceu à Sra. Sinhá Arcos e ao Sr. Milton Lobão Veras. Registros de inventários patrimoniais citam o imóvel como a casa onde residiu Rubens Ezaguy, destacando sua relevância histórica para a memória da comunidade judaica local.
Arquitetonicamente, a edificação apresenta características típicas das residências urbanas construídas durante o período áureo da economia da borracha, destacando-se pelo pé-direito elevado, destinado a proporcionar melhor ventilação ao ambiente amazônico, cobertura em telhas francesas, amplas esquadrias de madeira, planta adaptada ao clima tropical e volumetria característica das construções das primeiras décadas do século XX. Sua implantação em terreno de esquina reforça a importância econômica e social que seus proprietários exerceram na dinâmica comercial do bairro da Colônia.
Além de seu valor arquitetônico, a residência representa um significativo testemunho da presença judaico-marroquina em Itacoatiara, preservando a memória de famílias que participaram ativamente da formação histórica, econômica e cultural do município. Por suas características construtivas, valor histórico e vínculos com personagens representativos da sociedade local, o imóvel constitui um relevante patrimônio cultural da cidade, merecedor de reconhecimento, preservação e valorização pelas atuais e futuras gerações.
domingo, 26 de julho de 2026
Arco Norte – Nova fronteira logística, econômica e ambiental
Portos da região se destacam e ganham importância no escoamento de soja e milho. Desafio é tornar a logística mais eficiente
Certamente historiadores e geógrafos encontrarão origens mais remotas. O que pode ser afirmado é que na segunda metade dos anos 1990 a expressão Arco Norte já se tornara usual. E, formalmente, ela parece ter debutado no Plano Plurianual 2000/03 (Programa “Avança Brasil”) para se referir à “região lá em cima; Roraima e Amapá” e embalar um conjunto de ações estruturantes: além de rodovias, portos e hidrovias, também gás e energia elétrica. Isso sob a estratégia de “Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento”.
No passado mais recente, a expressão vem sendo crescentemente utilizada em sentido mais estrito: de “Saída Norte”; conceito mais logístico. Este foi antecedido pelos “Corredores” do plano de ação do biênio 1993/94 (“Reconstruindo as Artérias para o Desenvolvimento”); plano que já sinalizava a intermodalidade e previa dois deles naquela região. Este, por sua vez, foi precedido pelos “Corredores de Exportação”, integrantes dos dois “Plano Nacional de Desenvolvimento – PND” (PND-I e PND-II) dos governos militares (anos 1970/80).
O mapa do Brasil, aprendemos no Primário, já foi dividido no sentido norte-sul pelo Tratado de Tordesilhas (1494). Nas últimas décadas, passou a sê-lo por uma linha leste-oeste que demarca o limite sul do chamado Arco Norte.
A linha do Tratado (Belém-PA a Laguna-SC) foi fixada como fronteira entre dois reinos (Portugal e Espanha); por conseguinte, um referencial geopolítico. Já a do Arco Norte é uma linha imaginária aproximadamente sobre o Paralelo-16S: grosso modo, Cuiabá-MT, Brasília-DF, Ilhéus-BA. Diante do deslocamento da fronteira agrícola brasileira em direção ao noroeste, o conceito se impôs e foi imaginado como referencial logístico prático: seria o centro de uma faixa da qual tempos e custos para acessar os portos do Sul/Sudeste praticamente se equivaleriam aos da “Saída Norte”. Apesar de informal, o termo é usado regularmente pela imprensa, centros de pesquisa, na literatura e, até nas estatísticas oficiais.
A área que o Tratado reservou a Portugal foi de 2,8 milhões de km2 (32% do atual território brasileiro); ao passo que a do Arco Norte é mais que o dobro: 6,4 dos atuais 8,5 milhões de km2 (3/4; 75%). Além de grande número e extensão de unidades de conservação, assentamentos, terras indígenas e quilombolas, essa vasta região abarca diversas sub-regiões com características e vocações mais uniformes; como a emergente MATOPIBA: 73 milhões de hectares dos estados de MA, TO, PI e BA.
A saída do atual quadro de crises superpostas, que vive o país e a população brasileira, o estabelecimento do tal novo-normal e mesmo o futuro do Brasil, certamente passa pelo Arco Norte. Não se trata de miragem: a região já é responsável por parcela significativa da produção energética brasileira, bem como da produção e exportação mineral e agrícola. Só de soja e milho, por exemplo, em 2020, nela foram geradas 148,6 milhões de toneladas (2/3 da produção nacional), e exportadas 42,3 Mt (31,9 %). Nos últimos 10 anos, o aumento da sua produção foi de 2,1 vezes, ao passo que o das exportações, 5,9 vezes!
Consagrou-se, entre nós, o bordão: “Até a porteira a agricultura brasileira é competitiva. O problema está da porteira até o porto”; ou seja, na logística. Os dados acima, porém, recomendam melhores análises e explicações: teria a exportação crescido quase o triplo do crescimento da produção se a logística, de uma forma ou de outra, não tivesse dado conta do recado? Imagine, então, se a logística fosse mais eficiente!
O desafio logístico do Arco Norte, assim, é transitar de uma logística limitada para uma logística mais eficiente. E isso não só para exportações, mas também para o abastecimento da população da região que padece, igualmente, para levar as crianças à escola, ser atendida na limitada rede de saúde… mormente nas épocas de chuva.
Ou seja, a transformação da logística do Arco Norte transcende o mero escoamento de cargas e transporte de pessoas: pode ser instrumento de reordenação da ocupação do território, de mudança do perfil da atividade econômica e da organização social. Na linha dos “Corredores de Desenvolvimento”, difundidos pelo Banco Mundial e outras agências multilaterais.
A Amazônia tem tradição de megaprojetos abandonados, inconclusos, cujos cronogramas se arrastam por anos a fio, e/ou que deixam rastros de destruição não solucionados. Mas, além disso, há vários gargalos e desafios nessa trajetória de transformações: planejamento e gestão multimodal da logística; (des)coordenação das ações dos órgãos públicos; pirataria na navegação e roubo de cargas nas estradas; sincopados bloqueios de estradas e ferrovias; funding para os projetos (em geral bilionários); e estabilidade regulatória (imprevisível). E o estrategicamente mais importante: equilíbrio entre o produzir e o preservar.
Parodiando conhecida marca esportiva: just do it!
segunda-feira, 13 de julho de 2026
9 de Julho, o dia em que São Paulo se levantou em defesa da constituição!
Umberto Eco - O Guardião dos Labirintos, dos Signos e da Memória Universal
A Estética do Mistério e o Poder do Signo
1. A Catedral de Pergaminho
- O Nome da Rosa (Il nome della rosa, 1980): Ambientado em um mosteiro beneditino no norte da Itália, em 1327, o romance acompanha o monge franciscano Guilherme de Baskerville (uma brilhante homenagem a Sherlock Holmes e Guilherme de Ockham) e seu jovem noviço Adso na investigação de uma série de assassinatos misteriosos. No cerne dos crimes está uma biblioteca labiríntica e um livro proibido: o segundo livro da Poética de Aristóteles, dedicado à Comédia e ao Riso. O embate entre Guilherme (que defende o riso, a dúvida e a flexibilidade intelectual) e o venerável cego Jorge de Burgos (que enxerga o riso como o fim do temor a Deus e o início da destruição da ordem) é a representação máxima da luta entre a liberdade artística e o dogmatismo teológico totalitário.
2. O Labirinto das Conspirações
- O Pêndulo de Foucault (Il pendolo di Foucault, 1988): Se O Nome da Rosa olha para o passado, este livro antecipa a nossa era de pós-verdade e teorias da conspiração. Três intelectuais que trabalham em uma editora de Milão, entediados com os manuscritos de esoteristas que recebem, decidem criar por pura diversão um plano conspiratório universal unindo os Cavaleiros Templários, os Maçons, os Rosa-cruzes e os segredos do Santo Graal. O jogo intelectual sai do controle quando grupos conspiratórios reais passam a acreditar que o plano inventado é verdadeiro e começam a caçá-los. É uma sátira feroz sobre como a perda de critérios intelectuais e a fome de mistério podem transformar a mediocridade em fanatismo cego.
O Apocalíptico Integrado e a Defesa da Alta Cultura
- Os Apocalípticos: Eram os intelectuais aristocráticos que viam na cultura de massa a degradação absoluta da arte e o fim da civilização.
- Os Integrados: Eram aqueles que aceitavam o mercado cultural de forma acrítica, consumindo e produzindo entretenimento comercial sem qualquer filtro de qualidade ou profundidade.
Curiosidades sobre Umberto Eco
- A Biblioteca Viva: Umberto Eco possuía uma biblioteca pessoal lendária em seu apartamento em Milão, contendo mais de 50 mil volumes (incluindo mais de mil livros raros e antigos). Ele costumava dizer que a biblioteca não serve para ostentar o que já se leu, mas sim como uma ferramenta de pesquisa que nos lembra constantemente o tamanho da nossa ignorância: os livros não lidos são sempre mais importantes que os lidos.
- O Modelo de Jorge de Burgos: O vilão de O Nome da Rosa, o bibliotecário cego Jorge de Burgos, foi uma homenagem direta e provocativa ao escritor argentino Jorge Luis Borges, que também era cego, dirigiu a Biblioteca Nacional da Argentina e era obcecado por labirintos e espelhos. Eco admirava Borges profundamente, mas quis brincar com a figura do bibliotecário que esconde o conhecimento do mundo.
- O Anti-Esoterismo Convicto: Embora seus livros sejam repletos de cabala, alquimia e misticismo, Eco era um racionalista convicto, agnóstico e ironista. Ele estudava o esoterismo não porque acreditava nele, mas porque fascinava-lhe a capacidade humana de inventar mentiras complexas e acreditar nelas.
- O Riso como Resistência: Assim como o seu herói Guilherme de Baskerville, Eco acreditava que o humor e a ironia são os únicos antídotos eficientes contra o fanatismo político e religioso. "O diabo é o orgulho do espírito, a fé sem sorriso, a verdade que nunca é tocada pela dúvida", escreveu.
Por que ler Umberto Eco hoje?
quarta-feira, 8 de julho de 2026
Sobrado Vila Mignon, carrega um forte sentido de elegância, delicadeza e charme.
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