A casa Benchaya e Ezagui, fica localizada na esquina das ruas Francisco Glicério e Álvaro França, no tradicional bairro da Colônia, constitui um dos mais importantes exemplares remanescentes da arquitetura urbana do ciclo da borracha em Itacoatiara. O imóvel pertenceu à família de Orovida Benchaya e Leão Ezaguy, pais de Rubens José Ezaguy, popularmente conhecido como “Chunito”, considerado o último descendente da comunidade judaica marroquina a residir permanentemente no município, transferindo-se para Manaus na década de 1980. A presença da família Ezaguy integra a importante trajetória dos imigrantes judeus marroquinos que se estabeleceram em Itacoatiara entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico, comercial e social da cidade.
Ao longo de sua história, o imóvel também abrigou diversas atividades comerciais que marcaram a memória urbana itacoatiarense, entre elas a garapeira do Sr. Augusto Hipólito, a empresa J. Mendes Publicidades, do artista parintinense Jair Mendes, e a tradicional Eletromotores Karim. Posteriormente, a residência pertenceu à Sra. Sinhá Arcos e ao Sr. Milton Lobão Veras. Registros de inventários patrimoniais citam o imóvel como a casa onde residiu Rubens Ezaguy, destacando sua relevância histórica para a memória da comunidade judaica local.
Arquitetonicamente, a edificação apresenta características típicas das residências urbanas construídas durante o período áureo da economia da borracha, destacando-se pelo pé-direito elevado, destinado a proporcionar melhor ventilação ao ambiente amazônico, cobertura em telhas francesas, amplas esquadrias de madeira, planta adaptada ao clima tropical e volumetria característica das construções das primeiras décadas do século XX. Sua implantação em terreno de esquina reforça a importância econômica e social que seus proprietários exerceram na dinâmica comercial do bairro da Colônia.
Além de seu valor arquitetônico, a residência representa um significativo testemunho da presença judaico-marroquina em Itacoatiara, preservando a memória de famílias que participaram ativamente da formação histórica, econômica e cultural do município. Por suas características construtivas, valor histórico e vínculos com personagens representativos da sociedade local, o imóvel constitui um relevante patrimônio cultural da cidade, merecedor de reconhecimento, preservação e valorização pelas atuais e futuras gerações.
Características arquitetônicas
A casa apresenta pé direito alto, cobertura de telhas francesas e demais características típicas das moradias urbanas construídas durante o período áureo da economia da borracha:
Planta em esquina, implantada no alinhamento da rua, sem recuos frontais, característica marcante da arquitetura urbana oitocentista.
Cobertura em quatro águas, com telhas cerâmicas do tipo capa e canal, possuindo beiral reduzido e estrutura de madeira.
Paredes de alvenaria espessa, que proporcionam conforto térmico em clima equatorial.
Fachadas simétricas, organizadas por sucessivos vãos de portas altas, elemento que favorecia ventilação cruzada e iluminação natural.
Portas de madeira de folha dupla, altas e estreitas, acompanhadas de bandeiras superiores em madeira vazada, permitindo circulação permanente do ar mesmo quando fechadas.
Vergas em arco abatido, emolduradas por tijolos aparentes, conferindo elegância e ritmo à composição da fachada.
Cunhais e molduras destacadas, executados em cantaria ou reboco imitando pedra, recurso ornamental bastante difundido na arquitetura eclética amazônica do período.
Embasamento elevado, protegendo a construção da umidade do solo, problema recorrente nas cidades amazônicas.
Ausência de ornamentação excessiva, revelando um padrão arquitetônico sóbrio, típico das residências comerciais pertencentes à burguesia mercantil do interior amazônico.
Valor histórico
Mais do que uma antiga residência, o imóvel constitui um importante testemunho material da presença da comunidade judaico-marroquina em Itacoatiara. Famílias como os Benchaya, estabelecidas na cidade por volta de 1895, participaram ativamente do comércio regional durante o ciclo da borracha, mantendo estabelecimentos comerciais na antiga Avenida Parque e residindo principalmente no bairro da Colônia, onde se concentrou significativa parcela dos imigrantes judeus.
A arquitetura da casa reflete essa prosperidade econômica: trata-se de uma construção sólida, funcional e elegante, concebida para servir simultaneamente como residência familiar e símbolo do prestígio social alcançado por seus proprietários. Embora apresente linguagem predominantemente luso-brasileira, incorpora elementos decorativos do ecletismo que se difundiu na Amazônia durante a Belle Époque da borracha, período em que os comerciantes judeus contribuíram decisivamente para o desenvolvimento econômico e urbano de cidades como Itacoatiara, Manaus e Belém.
Essa residência, portanto, possui expressivo valor histórico, arquitetônico, cultural e identitário, representando um dos remanescentes da ocupação judaico-marroquina no município e constituindo um importante patrimônio da memória urbana de Itacoatiara.
Portos da região se destacam e ganham importância no escoamento de soja e milho. Desafio é tornar a logística mais eficiente
Certamente historiadores e geógrafos encontrarão origens mais remotas. O que pode ser afirmado é que na segunda metade dos anos 1990 a expressão Arco Norte já se tornara usual. E, formalmente, ela parece ter debutado no Plano Plurianual 2000/03 (Programa “Avança Brasil”) para se referir à “região lá em cima; Roraima e Amapá” e embalar um conjunto de ações estruturantes: além de rodovias, portos e hidrovias, também gás e energia elétrica. Isso sob a estratégia de “Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento”.
No passado mais recente, a expressão vem sendo crescentemente utilizada em sentido mais estrito: de “Saída Norte”; conceito mais logístico. Este foi antecedido pelos “Corredores” do plano de ação do biênio 1993/94 (“Reconstruindo as Artérias para o Desenvolvimento”); plano que já sinalizava a intermodalidade e previa dois deles naquela região. Este, por sua vez, foi precedido pelos “Corredores de Exportação”, integrantes dos dois “Plano Nacional de Desenvolvimento – PND” (PND-I e PND-II) dos governos militares (anos 1970/80).
O mapa do Brasil, aprendemos no Primário, já foi dividido no sentido norte-sul pelo Tratado de Tordesilhas (1494). Nas últimas décadas, passou a sê-lo por uma linha leste-oeste que demarca o limite sul do chamado Arco Norte.
A linha do Tratado (Belém-PA a Laguna-SC) foi fixada como fronteira entre dois reinos (Portugal e Espanha); por conseguinte, um referencial geopolítico. Já a do Arco Norte é uma linha imaginária aproximadamente sobre o Paralelo-16S: grosso modo, Cuiabá-MT, Brasília-DF, Ilhéus-BA. Diante do deslocamento da fronteira agrícola brasileira em direção ao noroeste, o conceito se impôs e foi imaginado como referencial logístico prático: seria o centro de uma faixa da qual tempos e custos para acessar os portos do Sul/Sudeste praticamente se equivaleriam aos da “Saída Norte”. Apesar de informal, o termo é usado regularmente pela imprensa, centros de pesquisa, na literatura e, até nas estatísticas oficiais.
A área que o Tratado reservou a Portugal foi de 2,8 milhões de km2 (32% do atual território brasileiro); ao passo que a do Arco Norte é mais que o dobro: 6,4 dos atuais 8,5 milhões de km2 (3/4; 75%). Além de grande número e extensão de unidades de conservação, assentamentos, terras indígenas e quilombolas, essa vasta região abarca diversas sub-regiões com características e vocações mais uniformes; como a emergente MATOPIBA: 73 milhões de hectares dos estados de MA, TO, PI e BA.
A saída do atual quadro de crises superpostas, que vive o país e a população brasileira, o estabelecimento do tal novo-normal e mesmo o futuro do Brasil, certamente passa pelo Arco Norte. Não se trata de miragem: a região já é responsável por parcela significativa da produção energética brasileira, bem como da produção e exportação mineral e agrícola. Só de soja e milho, por exemplo, em 2020, nela foram geradas 148,6 milhões de toneladas (2/3 da produção nacional), e exportadas 42,3 Mt (31,9 %). Nos últimos 10 anos, o aumento da sua produção foi de 2,1 vezes, ao passo que o das exportações, 5,9 vezes!
Consagrou-se, entre nós, o bordão: “Até a porteira a agricultura brasileira é competitiva. O problema está da porteira até o porto”; ou seja, na logística. Os dados acima, porém, recomendam melhores análises e explicações: teria a exportação crescido quase o triplo do crescimento da produção se a logística, de uma forma ou de outra, não tivesse dado conta do recado? Imagine, então, se a logística fosse mais eficiente!
O desafio logístico do Arco Norte, assim, é transitar de uma logística limitada para uma logística mais eficiente. E isso não só para exportações, mas também para o abastecimento da população da região que padece, igualmente, para levar as crianças à escola, ser atendida na limitada rede de saúde… mormente nas épocas de chuva.
Ou seja, a transformação da logística do Arco Norte transcende o mero escoamento de cargas e transporte de pessoas: pode ser instrumento de reordenação da ocupação do território, de mudança do perfil da atividade econômica e da organização social. Na linha dos “Corredores de Desenvolvimento”, difundidos pelo Banco Mundial e outras agências multilaterais.
A Amazônia tem tradição de megaprojetos abandonados, inconclusos, cujos cronogramas se arrastam por anos a fio, e/ou que deixam rastros de destruição não solucionados. Mas, além disso, há vários gargalos e desafios nessa trajetória de transformações: planejamento e gestão multimodal da logística; (des)coordenação das ações dos órgãos públicos; pirataria na navegação e roubo de cargas nas estradas; sincopados bloqueios de estradas e ferrovias; funding para os projetos (em geral bilionários); e estabilidade regulatória (imprevisível). E o estrategicamente mais importante: equilíbrio entre o produzir e o preservar.
Hoje, 9 de julho, São Paulo celebra uma das datas mais simbólicas de sua história: a Revolução Constitucionalista de 1932. Mais do que um conflito militar, o movimento representou a defesa de um princípio que permanece essencial em qualquer democracia: nenhum governante deve exercer poder sem limites impostos por uma Constituição.
Após a Revolução de 1930, o Brasil passou a ser governado por um governo provisório, sem uma Constituição em vigor e sem a convocação de uma Assembleia Constituinte. Foi nesse contexto que milhares de paulistas se mobilizaram para exigir a restauração da ordem constitucional e a criação de instituições capazes de limitar o poder do Estado.
Embora tenha ficado conhecida como uma revolta paulista, a principal reivindicação do movimento ia além de interesses regionais. O objetivo era defender uma nova Constituição, fortalecer instituições estáveis e assegurar que o exercício do poder estivesse submetido a regras claras, e não apenas à vontade dos governantes.
Do ponto de vista militar, a Revolução Constitucionalista foi derrotada após cerca de três meses de combates. Politicamente, porém, sua pressão produziu resultados importantes. Em 1933, foram realizadas eleições para a Assembleia Constituinte e, no ano seguinte, o Brasil promulgou uma nova Constituição.
Por isso, o legado de 9 de julho continua atual. A liberdade não depende apenas da escolha periódica dos governantes, mas também da existência de instituições fortes, capazes de limitar o poder, garantir segurança jurídica e proteger os cidadãos contra arbitrariedades. Afinal, governos passam, mas instituições permanecem.
Mais de nove décadas depois, a Revolução Constitucionalista segue lembrando que defender a Constituição é, acima de tudo, defender a liberdade.
AVANTE POVO BANDEIRANTE!
A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um dos principais conflitos armados da história do Brasil, ocorrido no estado de São Paulo entre julho e outubro de 1932.
Porque estourou esta revolução?
Dois anos antes, em 1930, Getúlio Vargas assumiu o poder após uma revolução. O problema é que ele começou a governar de forma ditatorial. Ele assumiu o poder depondo o presidente Washington Luís que era paulista e impedindo a posse de Júlio Prestes. Getúlio governava por decretos, anulou a Constituição de 1891 e dissolveu o Congresso Nacional. Ele passou a nomear "interventores" governadores indicados por ele, para os estados. Em São Paulo, a nomeação de um interventor de fora e militar gerou profunda revolta na elite e na população paulista, que exigiam um governador do Estado de São Paulo.
O estopim da manifestação foi dia 23 de maio de 1932, durante um protesto no centro de São Paulo, quando quatro estudantes foram mortos por forças pró-governo: Martins, Miragaia, Draúsio e Camargo, quais as iniciais dos nomes formaram o MMDC. MMDC foi uma organização secreta que passou a conspirar e mobilizar a população para a guerra.
E dia 9 de julho de 1932 os paulista pegaram as armas para derrubar Getúlio Vargas. São Paulo achava que outros estados grandes, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, entrariam na briga junto com eles. Mas, na hora do "vamos ver", esses estados recuaram e apoiaram Vargas. São Paulo teve que lutar praticamente sozinho contra o exército do resto do Brasil inteiro. Depois de quase três meses de combates intensos, São Paulo ficou sem recursos, cercado militarmente e acabou se rendendo em outubro de 1932.
Quem ganhou? - Militarmente: Getúlio Vargas venceu.
Mas Politicamente, São Paulo conseguiu o que queria.
Para acalmar os ânimos e evitar novas revoltas, Vargas cedeu às pressões: convocou eleições e, em 1934, o Brasil ganhou uma nova Constituição. Além disso, ele nomeou um governador paulista e civil para o estado.
Falar sobre Umberto Eco (1932–2016) é ingressar em uma imensa biblioteca medieval onde o mistério, a erudição e a cultura pop conversam na mesma mesa. Se Gógol decifrou o absurdo burocrático, Cortázar jogou com os limites do cotidiano e Huxley previu o deserto espiritual da tecnologia, o filósofo, ensaísta e romancista italiano Umberto Eco assumiu a tarefa de decodificar como a humanidade cria, interpreta e se perde nos labirintos dos seus próprios símbolos.
Eco foi uma das mentes mais brilhantes e multifacetadas do século XX e início do XXI. Professor de Semiótica na Universidade de Bolonha, ele conseguiu um feito raro: transitar com absoluta naturalidade entre os tratados acadêmicos mais áridos sobre a linguagem e as listas de mais vendidos da ficção mundial. Ele era, por definição, um aristocrata do intelecto com alma de detetive popular.
A Estética do Mistério e o Poder do Signo
A grande revolução de Eco na literatura foi transformar a teoria da linguagem (a semiótica) em alta literatura de suspense. Para ele, o mundo não é feito de fatos isolados, mas de uma teia infinita de signos que demandam interpretação. Ler o mundo, portanto, é um ato de investigação.
Em sua ficção, Eco usava o formato do romance histórico e policial para discutir teorias estéticas, filosofias medievais e as armadilhas do conhecimento humano. Suas obras mais célebres são monumentos a essa investigação:
1. A Catedral de Pergaminho
O Nome da Rosa (Il nome della rosa, 1980): Ambientado em um mosteiro beneditino no norte da Itália, em 1327, o romance acompanha o monge franciscano Guilherme de Baskerville (uma brilhante homenagem a Sherlock Holmes e Guilherme de Ockham) e seu jovem noviço Adso na investigação de uma série de assassinatos misteriosos. No cerne dos crimes está uma biblioteca labiríntica e um livro proibido: o segundo livro da Poética de Aristóteles, dedicado à Comédia e ao Riso. O embate entre Guilherme (que defende o riso, a dúvida e a flexibilidade intelectual) e o venerável cego Jorge de Burgos (que enxerga o riso como o fim do temor a Deus e o início da destruição da ordem) é a representação máxima da luta entre a liberdade artística e o dogmatismo teológico totalitário.
2. O Labirinto das Conspirações
O Pêndulo de Foucault (Il pendolo di Foucault, 1988): Se O Nome da Rosa olha para o passado, este livro antecipa a nossa era de pós-verdade e teorias da conspiração. Três intelectuais que trabalham em uma editora de Milão, entediados com os manuscritos de esoteristas que recebem, decidem criar por pura diversão um plano conspiratório universal unindo os Cavaleiros Templários, os Maçons, os Rosa-cruzes e os segredos do Santo Graal. O jogo intelectual sai do controle quando grupos conspiratórios reais passam a acreditar que o plano inventado é verdadeiro e começam a caçá-los. É uma sátira feroz sobre como a perda de critérios intelectuais e a fome de mistério podem transformar a mediocridade em fanatismo cego.
O Apocalíptico Integrado e a Defesa da Alta Cultura
Umberto Eco foi também um dos maiores críticos culturais da modernidade. Em seu clássico livro de ensaios "Apocalípticos e Integrados" (1964), ele analisou a cultura de massa sem os preconceitos elitistas cegos, mas também sem a complacência ingênua dos populistas.
Os Apocalípticos: Eram os intelectuais aristocráticos que viam na cultura de massa a degradação absoluta da arte e o fim da civilização.
Os Integrados: Eram aqueles que aceitavam o mercado cultural de forma acrítica, consumindo e produzindo entretenimento comercial sem qualquer filtro de qualidade ou profundidade.
Eco propunha um caminho superior: o intelectual deveria agir como um curador, um depurador de valores. Ele defendia critérios aristocráticos de valor — a técnica, a profundidade histórica, a beleza e a transcendência —, mas aplicava esses critérios tanto para analisar uma catedral gótica quanto para decifrar a estrutura narrativa das histórias em quadrinhos do Super-Homem ou os filmes de James Bond. Sem essa elite sensível e intelectual para chancelar o valor, a arte simplesmente desaparece na maçaroca da cultura comercial.
Curiosidades sobre Umberto Eco
A Biblioteca Viva: Umberto Eco possuía uma biblioteca pessoal lendária em seu apartamento em Milão, contendo mais de 50 mil volumes (incluindo mais de mil livros raros e antigos). Ele costumava dizer que a biblioteca não serve para ostentar o que já se leu, mas sim como uma ferramenta de pesquisa que nos lembra constantemente o tamanho da nossa ignorância: os livros não lidos são sempre mais importantes que os lidos.
O Modelo de Jorge de Burgos: O vilão de O Nome da Rosa, o bibliotecário cego Jorge de Burgos, foi uma homenagem direta e provocativa ao escritor argentino Jorge Luis Borges, que também era cego, dirigiu a Biblioteca Nacional da Argentina e era obcecado por labirintos e espelhos. Eco admirava Borges profundamente, mas quis brincar com a figura do bibliotecário que esconde o conhecimento do mundo.
O Anti-Esoterismo Convicto: Embora seus livros sejam repletos de cabala, alquimia e misticismo, Eco era um racionalista convicto, agnóstico e ironista. Ele estudava o esoterismo não porque acreditava nele, mas porque fascinava-lhe a capacidade humana de inventar mentiras complexas e acreditar nelas.
O Riso como Resistência: Assim como o seu herói Guilherme de Baskerville, Eco acreditava que o humor e a ironia são os únicos antídotos eficientes contra o fanatismo político e religioso. "O diabo é o orgulho do espírito, a fé sem sorriso, a verdade que nunca é tocada pela dúvida", escreveu.
Por que ler Umberto Eco hoje?
Umberto Eco é o autor indispensável para sobrevivermos ao caos da internet. Vivemos inundados por um oceano de informações falsas, algoritmos de redes sociais que rebaixam o debate ao menor denominador comum e uma massa que consome manifestações culturais equivalentes sem qualquer critério de beleza ou técnica. Ler Eco hoje é aprender a separar o joio do trigo no mercado da cultura. Ele nos ensina a olhar para trás, para a história e para os clássicos, não por mero passadismo, mas porque sabe que o homem que esquece a memória coletiva e os critérios intelectuais de valor vira uma peça frágil, facilmente manipulável pelos burocratas e criadores de ilusões modernas.
Restauração da imagem original do sobrado Vila Mignon com uso de recurso digital IA
O Sobrado Vila Mignon é um dos exemplares mais significativos da arquitetura civil e da história urbana de Itacoatiara, carregando em suas linhas e na sua biografia as memórias do desenvolvimento econômico e político da região.
Abaixo, apresenta-se uma descrição estruturada de seus aspectos históricos, arquitetônicos e o significado de seu nome.
Aspectos Históricos
Origem e Contexto Urbano: Construído na primeira metade do século XIX, o sobrado está localizado na Rua Fileto Pires, posicionado estrategicamente de frente para o Rio Amazonas. Encontra-se no bairro mais antigo da cidade, uma área histórica que teve origem nos empreendimentos do Barão de Mauá ainda durante o período colonial.
Poster vintage do sobrado Vila Mignon
Proprietários Notórios:
A edificação pertenceu inicialmente ao industrial português Avelino Martins, figura de grande relevância local que ocupou o cargo de prefeito de Itacoatiara. Martins era um próspero homem de negócios, proprietário da antiga usina de pau-rosa no bairro da Colônia, além de deter fazendas no Amatari, embarcações e diversos outros imóveis no centro e no bairro da Colônia.
Com o seu falecimento, o patrimônio foi herdado por seu cunhado, Marçal Abreu.
Décadas mais tarde, já nos anos 1990, o casarão serviu como residência para outro importante chefe do executivo municipal, o ex-prefeito Miron Fogaça.
O casarão se enquadra na tipologia dos tradicionais sobrados luso-brasileiros do século XIX, adaptados à realidade amazônica. Suas principais características apresenta uma estrutura de dois pavimentos (rés-do-chão e primeiro andar) com linhas sóbrias e simétricas. O frontão triangular clássico coroa a fachada principal, adornado em suas laterais por um delicado trabalho de lambrequins em madeira recortada, elemento que confere leveza e proteção contra o escoamento das chuvas tropicais.
O termo "Mignon" tem origem francesa e, no contexto arquitetônico e residencial da transição do século XIX para o início do século XX, carrega um forte sentido de elegância, delicadeza e charme.
Graciosidade: Traduzido literalmente, pode significar "pequeno", "mimoso", "bonito" ou "gracioso".
Distinção Cultural: Atribuir um nome francês a uma edificação de elite era uma prática comum no período, fortemente influenciada pela Belle Époque. O nome buscava conferir ao sobrado um status de sofisticação, bom gosto e distinção europeia, funcionando como um adjetivo que exaltava a beleza arquitetônica e o refinamento do local frente à paisagem urbana da época.
Foto recente da casa Vila Mignon na rua Fileto Pires - Colônia
Lamentavelmente com o passar dos anos e sucessivas reformas, foram descaracterizando a edificação e o nome Mignon foi removido, por mestres de obras que não tiveram a sensibilidade de valorizar a história da fachada histórica da elegante edificação. A imagem foi reconstituída através de tecnologia digital IA para dar mais realismo à fachada histórica.
sábado, 25 de abril de 2026
Hoje é dia de celebrar com orgulho e emoção os 152 anos da nossa querida Itacoatiara, terra de história, de luta e de gente trabalhadora. Ao longo de sua trajetória, nossa cidade foi construída com o esforço de homens e mulheres que, com coragem e determinação, ajudaram a moldar este município tão importante para o Amazonas.
Tenho a honra de ter contribuído, como gestor público, com uma parte dessa história, sempre com o compromisso de servir ao povo e trabalhar pelo desenvolvimento de Itacoatiara. Cada conquista alcançada é fruto da união da nossa gente e da força das nossas raízes, que remontam aos povos originários, verdadeiros fundadores desta terra.
Neste aniversário, reafirmo minha admiração por este município que tanto amo e deixo minha mensagem de esperança e que Itacoatiara continue crescendo, gerando oportunidades para todos.
Parabéns, Itacoatiara, pelos seus 152 anos! Que o futuro seja ainda mais promissor para todos nós.
Com respeito e gratidão, Francisco Pereira da Silva Ex-prefeito de Itacoatiara-AM
Dia 25 de abril é um dia especial para mim. Itacoatiara completa 152 anos de história, e falar dessa cidade é falar de uma parte muito importante da minha própria vida.
Foi aqui que vivi momentos marcantes, construí amizades e tive a honra de servir como prefeito, trabalhando ao lado de um povo forte, acolhedor e cheio de esperança. Cada rua, cada comunidade, cada rosto conhecido carrega lembranças que guardo com carinho e respeito.
Hoje, mesmo residindo em Manaus, meu coração continua ligado a Itacoatiara. É impossível não sentir orgulho ao ver essa cidade crescer, superar desafios e seguir firme, sempre sustentada pela força de sua gente.
Neste aniversário, quero prestar minh a homenagem a cada itacoatiarense, que constrói diariamente essa história com trabalho, fé e dedicação.
Parabéns, Itacoatiara, pelos seus 152 anos. Que Deus continue abençoando essa terra querida e todos que fazem dela um lugar tão especial.
Um abraço a todos do amigo de sempre,
Miron Fogaça
Miron Osmario Fogaça, nascido em Itati - PR, 85 anos. Foi diretor da Atlântica Avenier, Diretor da Carolina Ind Madeireira, Gethal. Secretário de Saúde do Município de Itacoatiara, vice-prefeito e prefeito de Itacoatiara de 1° de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2000 e Secretário Municipal de desenvolvimento econômico na gestão Antonio Peixoto. Atualmente é Consultor da Presidência do Sesc/Senac, Conselheiro na FIEAM e Presidente do Sindicato dos Madeireiros e tornearia do Amazonas.