sábado, 25 de abril de 2026

Mensagem do prefeito de Itacoatiara Mario Abrahim, pelos 152º Aniversário de Itacoatiara



Parabéns, minha amada Itacoatiara!

Sou grato por tudo que você nos deu e continua nos dando. Que Deus siga abençoando essa terra onde trabalhamos com dedicação todos os dias.
Vamos seguir firmes, trabalhando sempre, para fazer de Itacoatiara a cidade mais importante do Amazonas. Vamos juntos continuar crescendo.

Mensagem do prefeito Mario Abrahim

sexta-feira, 24 de abril de 2026

  

Realizando uma visita ao Sr. Ozeth e à Dona Elza Mamed, um casal extremamente simpático e querido pela minha família e por todos, tive a oportunidade de vivenciar um momento único e enriquecedor. Impressiona a lucidez e a sabedoria do Sr. Ozeth que, aos seus 99 anos, compartilhou, em poucos minutos de conversa, conhecimentos valiosos sobre a história de Itacoatiara, do Amazonas e da sua própria vida — relatos que dificilmente seriam encontrados em livros comuns ou registros científicos.
É motivo de grande orgulho para nossa cidade poder contar com pessoas de tamanha grandeza, generosidade e relevância histórica. Em um momento tão especial, em que Itacoatiara celebra seus 152 anos, rendemos nossa gratidão aos cidadãos da linhagem do Sr. Ozeth e Elza Mamed, ele com descendência libanesa e ela com descendência portuguesa, que ajudaram a construir e continuam inspirando a identidade de uma cidade cosmopolita, encantadora, estrategicamente bem localizada, rica em cultura, memória e potencial humano.

domingo, 19 de abril de 2026

Maracá, o som do Brasil

 

Muito antes das cidades, antes das fronteiras, antes mesmo de existir o nome Brasil… já havia som ecoando pela terra, profundo, rítmico e carregado de mistério, o som do maracá, o verdadeiro pulso ancestral desta nação.

Nascido das mãos dos povos originários, feito da simplicidade da natureza, uma cabaça, sementes, madeira, o maracá não era apenas um instrumento… era voz, era espírito, era conexão direta com o invisível que habita a floresta.

Em cada movimento, em cada vibração, ele guiava rituais sagrados, marcava danças, conduzia cantos e abria caminhos entre mundos, onde pajés utilizavam seu som como ponte entre o humano e o espiritual, acreditando que ali, naquele eco profundo, os próprios espíritos respondiam.

Quando o Brasil ainda não era Brasil, quando não havia história escrita, nem mapas, nem bandeiras… o maracá já existia, unindo povos, transmitindo saberes e mantendo viva uma cultura que resistiria ao tempo, à invasão e ao silêncio imposto.

E mesmo diante da colonização, da dor e das tentativas de apagar identidades, o som do maracá não se calou… ele sobreviveu, firme, atravessando séculos como um símbolo de resistência, memória e força espiritual.

Hoje, ainda ecoa… não apenas nas aldeias, mas na essência do que somos, lembrando que o Brasil não começou com a história que aprendemos, ele começou com o som que sentimos.

Porque antes da palavra… antes da escrita… antes de tudo… o Brasil já vibrava e esse som ainda vive.


fonte: Tchê

sábado, 18 de abril de 2026

Origem de Itacoatiara, por Edmilson Almeida

 


ORIGEM DE ITACOATIARA
ALMEIDA DE OLIVEIRA


Num belo certo dia o rio Amazonas
Uma rústica embarcação o subia.
Era Xavier Furtado quem comandava
Aquela tropa de homens
Que o Amazonas desbravava.

Aqui, ali, acolá,
Eles ancoravam e saíam a caçar,
Até que num porto em que nada havia,
Um forte homem foi morto.
E lá ficaram mais que um dia.

Enfurecido e, também entristecido
Com o desgosto que a natureza lhe trouxera,
Como que se as pedras fossem de fisalita,
Xavier Furtado curiosamente as fita e,
Numa delas, faz a pronúncia: “ITA”.

Isso o impressionou:
“Tê-la-á gravado a Natureza
Ou aqueles que procuramos falam de fortaleza?
Isto é impactante!
Decidam, pois, agora, qual dos dois é importante:
Aqui ficarmos ou irmos jornada avante?”

E estavam em meditação
Quando exclamou Xavier Furtado:

“Ei! Olhem! O lugar parece ser brio,
Vejam no toco daquela árvore
Um animal que mostra ter frio,
Vamos buscá-lo vivo, e não
O façamos de caça”.

— “Não! Parem” — vociferou um esbelto caboclo —
— “Ele é bravo e se chama COATI.”

— “Coati?”
— “Sim, eu conheço”.

— “Ah! Vejam!” — exclamou o general.
— “O quê? O quê?” — interrogam-no os demais.

O general ficou atônito,
Pois vira, assim confessou,
A imagem perfeita de uma
Mulher robusta, em silhueta.

Novamente o caboclo se intromete e diz:
— “Imaginariamente, não sei se o senhor pressente
Que o lugar aqui está pra gente.

Sobre o que o líder fantasiou
Nossa história nos contou:
‘No Amazonas existe a lenda da IARA.’”

A curiosidade desperta-os mais e mais.

Dilucidou um deles:
“Aqui, o lugar não é idílico!
É selvagem até demais,
Prove, senhor general, ser capaz de
Descobrir o que a Natureza faz.”

Todos pasmaram-se!
O silêncio, repentinamente,
Aquele lugar dominou,

Quando, inesperadamente,
Um grupo de silvícolas ali chegou.

Em gesticulação Xavier Furtado
À sua tropa transmitia:
“Não falem, não!
Estamos passando perigo
Com os homens da região,
Apesar de serem amigos
De quem está em embarcação.”

Cheio de horror, não querendo abandonar
O lugar que o maravilhou,
O caudilho a embarcação desatracou e,
Após deixar a mensagem do que seria capaz,
Se foi para nunca mais:

“Pedro é fortaleza!
Animal é riqueza!
Silhueta de mulher o rio embeleza!

Vou descobrir, vibrante cabo-de-guerra,
Do que a Natureza é capaz:
Até nome de lugar é ela que nos dá.
Se não crê no que digo,
Ouça o que vou pronunciar:

Naquele porto há ITA, pedra;
Naquela mata há COATI, animal;
Naquele rio há IARA, silhueta de mulher.
Preste atenção para esta justaposição:
ITA-COATI-IARA foi o nome que DEUS deu
Ao lugar onde um de nós morreu.”

O chefe militar, mudando o semblante,
Admirado disse ao marujo:

“Amigo, quando chegarmos lá
Não vá dizer que vimos
A ITA, o COATI, a IARA,

Mas, sim, que DEUS nos fez
Descobrirmos o lugar
ITACOATIARA.”



Poema escrito em 19/04/1974, de Edmilson Almeida, por ocasião dos festejos do Centenário de Itacoatiara; declamado em 25/04/1974, na Praça de Herculano de Castro e Costa, sob aplausos da plateia, que permaneceu em pé por aproximadamente 5 minutos.

quinta-feira, 26 de março de 2026

OS IRMÃOS ÁRABES QUE IMIGRARAM PARA O AMAZONAS E QUE SE TORNARAM UM DOS MAIORES COMERCIANTES DO NORTE DO BRASIL,CUJO SEU PATRIMONIO FOI DEVORADO PELAS CHAMAS

No início do século XX,imigrantes de várias partes do mundo chegavam à Amazônia brasileira atraídos pela grande circulação de capital na região,impulsionada pela exportação da borracha. E,entre esses imigrantes estavam os árabes,ou seja,os sírio/libaneses e que também ficaram conhecidos como"turcos".No Estado do Amazonas,alguns árabes se instalaram na capital Manaus onde abriram estabelecimentos comerciais,geralmente de venda de armarinhos,ou trabalhavam de vendedores ambulantes(conhecidos como"teque-teque").Já outros foram se aventurar pelo interior do Estado trabalhando de regatão,um vendedor ambulante fluvial que enchia sua embarcação de mercadorias e se dirigia aos locais mais distantes para vender seus produtos,na beira dos rios,para seringueiros,indígenas,caboclos ribeirinhos e pequenos comerciantes.

Abdul Raman Rasac Hauache e seu irmão Abdon Raman Hauache saíram de sua terra natal,no Líbano,e chegaram ao Brasil em busca de uma nova vida em 1904.Os dois irmãos se instalaram inicialmente no Rio de Janeiro,a então capital brasileira.

A CHEGADA AO AMAZONAS E O SOFRIDO TRABALHO DE REGATÃO NO INÍCIO

Porém os dois libaneses souberam que o dinheiro corria solto na Amazônia,com a possibilidade de enriquecimento para quem se aventurasse a trabalhar por aquelas paragens.Eles então decidiram tentar a sorte no Norte do Brasil, embarcando num navio no Rio de Janeiro rumo ao Amazonas,onde chegaram em 1905,ficando eles em Manaus onde começaram a trabalhar.
Mas depois os irmãos decidiram trabalhar de regatão e se aventurar pelo interior,onde compraram mercadorias e embarcaram numa embarcação rudimentar movida a remo.E foi assim,usando a força dos braços que os irmãos navegaram remando pelo rio Solimões, enfrentando correntezas,banzeiros e temporais,oferecendo,vendendo ou trocando seus produtos pela margem dos rios,e navegando de subida até chegar na cidade de Rio Branco,no Acre.Até o ano de 1925,Abdul e Abdon ainda trabalhavam no comércio de regatão.

AINDA NO TRABALHO DE REGATÃO,A SITUAÇÃO DOS IMIGRANTES COMEÇAVA A MELHORAR

Mas,a partir de 1925,a coisa mudou para eles,pois com o capital adquirido nas viagens compraram uma embarcação melhor,um batelão movido a vapor,e resolveram mudar de rota e explorar o rio Madeira.Eles então armazenavam no batelão várias mercadorias que vendiam ou trocavam como borracha,sernambí,couro de jacaré e de gato maracajá,castanha,querosene, pirarucu,balata,munição,roupas,etc.E assim foram adquirindo mais capital com a freguesia que tinham por todo rio Madeira.
Já com mais dinheiro nos bolsos,Abdon Raman e Abdul Rasac compraram uma propriedade localizada na Costa da Conceição,zona rural do município de Itacoatiara,do qual foi batizada por eles de SANTA MARIA DO RAMAN,situada na margem do rio.
A partir daí os irmãos Hauache prosperaram ainda mais pois sua localidade passou a ser sinônimo de progesso no estado.Foi ali em Santa Maria que eles instalaram a sede de sua firma chamada de "Abdon Raman & Rasac"onde ficavam seus armazéns,escritório,alojamento dos empregados e onde tinha um intenso movimento de embarque e de desembarque de mercadorias e de trabalhadores da firma,além disso o local tinha energia elétrica movida a motor de luz.Os dois irmãos passaram a ser uma espécie de "reis" da região e Santa Maria passou a ser referência, transformando o porto da cidade de Itacoatiara num dos maiores da região em movimento de mercadorias,só perdendo para o porto de Manaus,e isso devido aos irmãos libaneses e seus produtos de Santa Maria que movimentavam a economia local.
Lá em Itacoatiara aportavam grandes navios vindos do Rio de Janeiro,São Paulo,Belém e Manaus para embarcar os produtos que vinham de Santa Maria ou para vender gêneros aos donos da localidade,onde se descarregavam sacos de açúcar,café em grãos,arroz,feijão,caixas de óleo, borracha, tambores de gasolina, querosene,confecções,etc.
Abdon e Abdul,em sua propriedade Santa Maria, tornaram-se os maiores contribuintes de impostos do Amazonas naquela época,junto com demais comerciantes do estado.

O INCÊNDIO QUE DESTRUIU O NEGÓCIO COMERCIAL DOS LIBANESES - A VOLTA POR CIMA

Porém,no auge daquele processo comercial,eis que aconteceu uma tragédia inesperada: em 1938 um grande incêndio aconteceu em Santa Maria que destruiu totalmente os armazéns e mercadorias,somente se salvando as embarcações da firma que estavam atracadas no porto da localidade.
Sendo assim,os irmãos árabes perderam uma verdadeira fortuna,vendo seus esforços de tantos anos de trabalho duro se acabar e virar cinzas.
Dizem pessoas próximas a eles que,assim que acabou o incêndio,Abdul,desolado e furioso,batia na mesa de seu escritório e dizia "-Não atracava navio de grande porte em Santa Maria,mas brevemente vai atracar".
E os irmãos Hauache resolveram recomeçar novamente e,como tinham um bom crédito nas praças de Manaus e São Paulo,compraram novas mercadorias e recomeçaram nova vida.
Em Manaus eles tiveram ajuda de seus patrícios,os comerciantes libaneses,que concederam crédito aos Hauache.
Em pouco tempo,Abdul e Abdon recuperaram seu prejuízo e continuaram em Santa Maria,tornando-se eles os maiores aviadores para o interior do Amazonas,ajudando e muito a economia amazonense.
Dizem que aquilo que Abdul prometeu aconteceu: os navios de grande porte passavam agora a atracar no porto de Santa Maria.
Mas os dois irmãos acabaram desfazendo a sociedade, e Abdul resolveu vir para Manaus onde fundou um estabelecimento comercial, a "Casa Rasac",e armazéns, passando ele também a prosperar na cidade. Quanto à Abdon, continuou reinando em Santa Maria.

CONCLUSÃO

Na ilustração maior, à esquerda, está uma representação do incêndio que destruiu a localidade de Santa Maria do Raman; na imagem à direita, acima, está uma propaganda da firma dos irmãos libaneses; na ilustração abaixo está a figura de um regatão oferecendo seu produtos de venda para ribeirinhos, profissão essa que os irmãos fizeram no Amazonas por um bom tempo antes de enriquecerem.


FONTES: 
livro "A colônia árabe no Amazonas",de Gaitano Antonaccio; Jornal do Commercio; tradição oral.

terça-feira, 17 de março de 2026

Cultura da arte cerâmica ancestral de Itacoatiara



A Cerâmica Miracanguera e seus mistérios!

Na margem esquerda do Rio Amazonas, entre Manaus e Itacoatiara, foram encontrados vestígios de inúmeros sítios indígenas pré-históricos. O que muitos de nós não sabemos é que ainda existem regiões ocultas situadas no interior da Amazônia e um povo, também desconhecido, que teria vivido por aquelas regiões e ainda hoje não foram totalmente desbravadas. É assim que começamos a falar sobre os Miracanguera.

Em 1870, numa de suas andanças pelo interior da Amazônia, o explorador João Barbosa Rodrigues descobriu uma grande necrópole indígena contendo uma vasta gama de peças em cerâmica de incrível perfeição, que teria sido construída por uma civilização até então desconhecida em nosso país. Utilizando a fonética usual dos índios da região, ele denominou o sítio de Miracanguera. A atenção do pesquisador foi atraída primeiramente por uma curiosa vasilha de cerâmica, propriedade de um viajante. Este informante citou tê-la adquirido de um mestiço, residente na Vila do Serpa (atual Itacoatiara), que dispunha de diversas peças, as quais teria recolhido na Várzea de Matari, situada a poucos quilômetros da vila. Barbosa Rodrigues suspeitou que poderia se tratar de um sítio arqueológico de uma cultura totalmente diferente das já identificadas na Amazônia.

Em seu interior, as vasilhas continham ossos calcinados, demonstrando que os mortos tinham sido incinerados. De fato, a grande maioria dos despojos dos miracangueras era composta de cinzas. Além das vasilhas mortuárias, o pesquisador encontrou diversas tigelas e pratos utilitários, todos de formatos elegantes e cobertos por uma fina camada de barro branco, que os arqueólogos denominam “engobe”, tão perfeito que dava ao conjunto a aparência de porcelana.

Uma parte das vasilhas apresentava curiosas decorações e pinturas em preto e vermelho. Outro detalhe que surpreendeu o pesquisador foi a variedade de formas existentes nos sítios onde escavou, destacando certas vasilhas em formas de taças de pés altos, que lembram congêneres da Grécia Clássica.

Havia peças mais elaboradas, certamente para pessoas de posição elevada dentro do grupo. A cerâmica do sítio de Micaranguera recebia um banho de tabatinga (tipo de argila com material orgânico) e eventualmente uma pintura com motivos geométricos, além da decoração plástica que destacava detalhes específicos, tais como seres humanos sentados e com as pernas representadas.

João Barbosa Rodrigues faleceu em 1909. Em 1925, o famoso antropólogo Kurt Nimuendaju tentou encontrar Miracanguera, mas a ilha já tinha desaparecido nas águas do rio Amazonas. Arqueólogos americanos também vasculharam áreas arqueológicas da Amazônia, inclusive no Equador, Peru e Guiana Francesa, no final dos anos de 1940. Como não conseguiram achar Miracanguera, “decidiram” que a descoberta do brasileiro tinha sido “apenas de um sítio da chamada ‘Tradição Policrona’ ou seja, “uma sub-tradição de agricultores andinos”. Porém, nos anos de 1960, um outro americano lançou nova interpretação para aquela cultura, concluindo que o grupo indígena de Miracanguera não era originário da região, como já dizia Barbosa Rodrigues. Tratava-se de um mistério relativo a uma civilização perdida que, talvez, não seja solucionado nas próximas décadas. Em pleno século 21, a cultura miracanguera continua oficialmente “inexistente” para as autoridades culturais do Brasil e do mundo.



FONTE: Museu Nacional

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Itacoatiara – AM: Polo Econômico do Médio Amazonas, Entre a Força do Rio Madeira, a História da Pedra Pintada e um Mercado Regional em Transformação


Itacoatiara é uma das cidades mais estratégicas do interior do Amazonas. Com pouco mais de 100 mil habitantes, ela ocupa posição de destaque no estado e lidera sua região geográfica imediata em população e influência econômica. Localizada às margens do rio Madeira, a cidade sempre esteve ligada à navegação, ao comércio fluvial e à integração regional.

O próprio nome carrega identidade histórica. “Itacoatiara” significa “pedra pintada”, referência às inscrições rupestres encontradas nas rochas da região. A ocupação organizada remonta ao século XVIII, quando surgiram os primeiros núcleos de povoamento às margens dos rios, em uma dinâmica profundamente conectada à floresta e às rotas fluviais.

Economia com Base em Serviços, Setor Público e Madeira

O município movimenta cerca de R$ 3,3 bilhões em PIB, com PIB per capita em torno de R$ 32 mil. A economia é sustentada principalmente pelo setor de serviços, seguido pela administração pública, agropecuária e indústria.
Entre as atividades que mais empregam estão a administração pública, as serrarias com desdobramento de madeira e o transporte fluvial de cargas. Isso confirma o papel logístico da cidade e sua forte ligação com o setor madeireiro e com a dinâmica regional de escoamento pelo rio Madeira.
Nos últimos anos, o crescimento do PIB foi expressivo, com forte expansão nominal na última década. A geração de empregos formais também tem apresentado saldo positivo, consolidando Itacoatiara como um dos motores econômicos do interior amazonense.

Estrutura Demográfica e Mercado de Consumo

A cidade apresenta idade mediana de 26 anos, mas já demonstra sinais de envelhecimento gradual da população. Há forte presença de jovens em idade produtiva, o que favorece a dinâmica econômica no curto e médio prazo.
A renda média formal gira em torno de R$ 2,5 mil, abaixo da média estadual, com concentração significativa nas classes de menor poder aquisitivo. Esse perfil indica um mercado sensível a preço, mas com potencial para expansão em segmentos como comércio popular, crédito, educação técnica, construção civil e serviços de saúde.

Crescimento Urbano e Infraestrutura

Itacoatiara possui área territorial extensa, com quase 9 mil km², combinando zona urbana consolidada e ampla área rural. A frota supera 30 mil veículos, sendo uma das maiores do estado, o que indica avanço no consumo e na mobilidade local.
O município funciona como capital subregional, atraindo moradores de cidades vizinhas para estudo, serviços públicos, comércio e atendimento de saúde.

Cultura, Turismo e Curiosidades

A identidade ribeirinha é um dos traços mais marcantes. O rio Madeira não é apenas paisagem, é eixo econômico e cultural. A cidade mantém tradições religiosas e eventos locais que movimentam o calendário regional.
Pouco conhecida fora do estado, Itacoatiara tem potencial turístico ligado ao ecoturismo, à pesca esportiva e às áreas naturais da região. A herança indígena e as inscrições rupestres reforçam o valor histórico e cultural do município.
Durante ciclos econômicos como o da borracha e da madeira, a cidade desempenhou papel estratégico como entreposto fluvial, consolidando sua importância logística na Amazônia.

Educação e Indicadores Sociais

O IDEB dos anos finais do ensino fundamental está em 4,7, mostrando avanço gradual na educação pública. A cobertura de atenção básica em saúde alcança praticamente toda a população, o que fortalece a estrutura social do município.

Desafios e Oportunidades

Itacoatiara reúne características típicas de um polo regional amazônico: forte presença do setor público, economia baseada em serviços e madeira, mercado em transformação e dependência logística do transporte fluvial.
O desafio está na diversificação econômica, no aumento da renda média e na consolidação de novos setores produtivos. A base regional, no entanto, já está estabelecida.
Itacoatiara é hoje uma das engrenagens econômicas mais importantes do Médio Amazonas — uma cidade moldada pelos rios, pela floresta e por uma economia que continua em processo de expansão.


fonte:

Consulta de opinão